sexta-feira, 27 de outubro de 2023

O NOVO NINHO DA ÁGUIA EM LISBOA

 


"Benfica muda a iniciação para o Estádio Universitário; recupera infraestruturas e tem um novo e amplo espaço

Três jovens com menos de 13 anos correm com urgência. Não será pelas nuvens negras que ameaçam chuva inclemente que pouco tardará, nem pelo temor nervoso de atraso para um compromisso, talvez acelerem, apenas, pela alegria e pelo entusiasmo inocentes de quem vai fazer o que gosta — só jogar futebol. Com a camisola do Benfica e num relvado artificial que ainda conserva o brilho que será castigado, com o tempo, pelos elementos. Em sentido contrário caminha outra criança equipada à Sporting, nem dela dão conta. O mais alto dos três só abranda quando lhe sugerem que será um futuro defesa-central. Que não, é avançado!
O treino da equipa sub-13 do Benfica, orientada por Pedro Lameiro, está a começar, no Estádio de Honra do Estádio Universitário (EU), em Lisboa. É provável que quem por lá vai jogar, fazer umas fintas ou umas defesas, marcar ou evitar um golo, ainda não se tenha dado conta da honra e privilégio de que é depositário. Ainda bem, são crianças, antes de qualquer projeto para ser Bernardo Silva, João Félix ou João Neves. É, no fundo, também esse o princípio orientador do futebol de iniciação do Benfica.
As águias, em Lisboa, têm, agora, um novo ninho, no Estádio Universitário. Crianças e jovens ainda não gozam de todos os confortos anunciados no início de fevereiro, com pompa e circunstância, na assinatura de um contrato de parceria entre o Benfica e a Universidade de Lisboa (UL), que proporciona aos encarnados a concentração no EU de toda a atividade de iniciação, dispersa, nos últimos anos, pelos Pupilos do Exército e Casa Pia, também pelo sintético do Estádio da Luz e até por Monsanto. Já devia estar tudo a reluzir desde agosto, mas as obras, como tantas vezes acontece, por diversos motivos, atrasaram-se. Não faltará muito até estarem concluídas e, neste momento, já quase toda a atividade de iniciação do Benfica decorre no coração de Lisboa, com melhores condições do que nunca.

€2,1 milhões/10 anos
O Benfica investe pouco mais de €2,1 milhões para utilizar durante 10 anos algumas infraestruturas do EU. Em marcha está um projeto de requalificação de campos e edifícios. O Estádio de Honra já tem um relvado artificial de última geração, certificado pela FIFA e World Rugby, a nova iluminação LED já cintila, falta concluir a renovação dos balneários, a recuperação da cobertura e a requalificação dos espaços para apoio administrativo do edifício principal. Nos campos 3 e 4, mesmo ao lado da piscina olímpica e dos campos utilizados pela iniciação do Sporting, a instalação da relva artificial está perto do fim, a construção das bancadas mais demorada. E faltará, ainda, a iluminação LED.
Estão em fase avançada, ainda, a requalificação dos polidesportivos 2 e 3, cujo cimento será substituído por relva artificial de última geração, novas tabelas, redes de proteção e iluminação LED; e a construção de dois espaços para a prática de Cage Football, futebol numa espécie de jaula, atividade que os encarnados desenvolviam em Monsanto.
O Benfica deixa os polos dos Pupilos e da Casa Pia por necessidade de expansão que não estava salvaguardada naqueles espaços. São mais de 180 jogadores até aos 13 anos que vão crescer num novo ninho com a esperança de passar, mais tarde, para o Seixal. Quase 60 funcionários do Benfica vão tratar deles.

Iniciação para competição
A iniciação do Benfica e os respetivos Centros de Formação e Treino espalhados pelo País não se confundem com as escolas do Benfica «com caráter lúdico e recreativo» que se desenvolvem no Estádio da Luz. São já escalões com o crivo apertado do departamento de prospeção. São já crianças e jovens nos quais o Benfica identificou talento para desenvolver e potenciar com o objetivo de integrar a equipa A do clube.
«Aqui não vão estar as escolas de futebol. Continuam no Estádio da Luz. É um conceito diferente. Para as escolas, não recrutamos, os jovens inscrevem-se. É um conceito mais inclusivo. Mesmo aqueles com menos aptidão têm espaço para jogar. Aqui (iniciação Estádio Universitário) estamos no patamar daqueles que escolhemos para um desenvolvimento mais orientado para o futebol de formação», explica Pedro Mil-Homens, diretor geral da formação do Benfica.

Mais João Neves
Pedro Lameiro, treinador dos sub-13 do Benfica, 10.ª época nos encarnados, identifica depressa as vantagens da passagem da iniciação do Benfica, de armas e bagagens, para o EU. Nos Pupilos do Exército, logo de início, recorda, «havia um só campo para todas as equipas ao mesmo tempo», as condições «melhoraram» depois da parceria com a Casa Pia, apesar de o material «andar de um lado para outro». A transição para o EU está praticamente concluída e as condições, apesar de as obras ainda não terem acabado, «já estão perto da excelência». «Não é que fossem más antes», sublinha.
Pedro Lameiro, 36 anos, conta que a metodologia do Benfica evoluiu, como a sociedade, nos últimos anos e diferencia-se, entre outras coisas, por introduzir blocos de futebol, dança ou motricidade infantil. Dessas atividades falarão, noutras edições, Pedro Mil-Homens e Rodrigo Magalhães, coordenador técnico da formação. No escalão sub-13, assinala o treinador, verifica-se «a transição para o futebol 11» e, nesse «salto», já se dá atenção «à situação de jogo», ou seja, «há a introdução do nível tático, que não acontecia noutros escalões, com tanta frequência».
Quando Pedro Lameiro chegou ao Benfica «João Neves era dos benjamins», mas o técnico trabalhou mais com gerações depois de 2005, com jogadores como Rafael Luís ou João Veloso, médios dos juniores. Recorda, ainda assim, que João Neves era «um jogador diferenciado», pelas características que ainda hoje são facilmente identificadas, como «intensidade, entrega ao jogo, capacidade de trabalho, profissionalismo e qualidade».

«Há aqui jogadores que faremos chegar à equipa principal»

O treinador não evita um sorriso a pergunta de A BOLA. Haverá na equipa dele mais algum João Félix ou Bernardo Silva. «Não, mas haverá outros certamente. Há aqui jogadores que faremos chegar à equipa principal», dispara, com confiança, antes de entrar no relvado para orientar o treino.

Iniciação (Lisboa) - 12 equipas, 186 jogadores
2 equipas Sub13 — 36 jogadores
2 equipas Sub12 — 30 jogadores
2 equipas Sub11 — 30 jogadores
3 equipas Sub10 — 29 jogadores
Traquinas A — 28 jogadores
Traquinas B — 20 jogadores
Petizes — 13 jogadores

Staff - 36 Treinadores (12 treinadores, 18 treinadores adjuntos e 5 treinadores de guarda-redes e 1 treinador analista)
1 Coordenador Técnico
2 Subcoordenadores
1 Secretário Técnico
1 Coordenador administrativo
10 Fisioterapeutas
2 Psicólogos
1 Nutricionista
2 Técnicos de equipamentos"

MURAL DOS CAMPEÕES NO ESTÁDIO DA LUZ:

 


"☑️ Guarda-Redes: Oblak e Ederson
☑️Defesas: André Almeida, Nélson Semedo, Luisão, Garay, Rúben Dias, Otamendi, Grimaldo
☑️Médios: Rui Costa, Aimar, Simão Sabrosa, Di María, Salvio, Gaitán, Rafa
☑️Avançados: Nuno Gomes, Óscar Cardozo, Jonas, João Félix."

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

E QUANDO O NOSSO MELHOR JOGADOR VIRA UM PROBLEMA DIFÍCIL DE RESOLVER?

 


"O que vou escrever não passa de uma opinião pessoal, para promover o debate.
Olhando à forma como a época está a correr, à falta de definição no 11 base, às escolhas erróneas do treinador, à falta de consistência exibicional quer da equipa quer das individualidades, é difícil dizer isto, é muito injusto para o atleta em questão que é de longe o nosso melhor jogador da presente temporada, mas para mim, parte do nosso problema está ali, e na dificuldade que Schmidt está a revelar em encontrar uma forma de conciliar todos no 11.
Falo de João Neves, que tem feito uma época fantástica, de entrega, raça, qualidade acima da média, o problema é que não se encontra o par ou pares para casarem com ele no nosso meio campo e é aí que reside grande parte do nosso problema na construção de jogo…é o tapa, destapa da manta que não se consegue conjugar.
Para mim, é para muitos Benfiquistas, Florentino, peça fundamental na temporada passada, e precisa de recuperar a sua posição no 11 o mais rapidamente possível uma vez que é ele o equilíbrio defensivo que ajuda a libertar o talento à sua frente, e é aqui que está o cerne da questão…para entrar Florentino o sacrificado natural seria João Neves…mas não pode ser porque é o nosso melhor jogador à data…o que fazer então?
Pensar numa forma de encaixar estes dois no mesmo 11, para mim é a única forma de estabilizar o miolo, dar capacidade de pressão alta e de recuperação de bola, talvez seja preciso repensar o esquema tático o modelo de jogo, é para isso que está lá o treinador….não pode ficar refém do seu modelo e tem de ter capacidade para olhar para as características dos seus atletas e tirar o melhor de cada um deles.
Porque não um meio campo reforçado?
Florentino - Neves - Kokcu com Aursnes na esquerda??
Já vimos este esquema?
Outra hipótese, o Feyenoord, finalista da liga Conferência, vice-campeão holandês fez uma temporada com um miolo Aursnes (6) Kokcu (8)…já vimos essa hipótese ser apresentada por Schmidt???
Há que rapidamente estabilizar o 11, equilibrar a equipa e recuperar a pressão alta…é isso passa fundamentalmente pela qualidade das peças do meio campo e pela forma como elas estão arrumadas.
Temos que evoluir Sr. Schmidt, eu não sou fã de chicotadas, até porque trazem bons momentos de futebol mas rapidamente o sucessor passa de bestial a besta, precisamos acima de tudo de continuidade e com isso obtemos tranquilidade, e acabam as conversas dos “balneários viram a costa ao treinador”, são cada vez mais os exemplos em que as lideranças longas no comando técnico das equipas dão mais frutos que o oposto…e não é preciso ir muito longe, basta olhar para os rivais…joguem bem ou mal, tem resistido à tentação fácil de correr com os treinadores e olhem que nenhum teve melhores resultados do que a maioria que passou no Benfica.
Vamos lá focar e pensar sobre a forma para melhorar a equipa!"

ÁGUIA DEPENADA!

 


"Esta águia, como dizia a expressão antiga, não tem ‘rabo para duas cadeiras’

A simples ideia de um Benfica incapaz esta época de competir na Europa a um nível, sequer, parecido com o da época passada pode realmente ser assustadora para o mais comum dos adeptos. Não é apenas o facto de ter somado ontem a terceira derrota em três jogos da Champions; é sobretudo a imagem de uma equipa demasiado frágil e demasiado vulnerável para evitar a segunda derrota em pleno Estádio da Luz e frente a adversários que, apesar das qualidades e virtudes, não são da primeira linha europeia.
Salzburgo e Real Sociedad foram, simplesmente, capazes de jogar como equipa, ao contrário das águias, que deixam, desta vez, à Europa do futebol a imagem de uma equipa longe ainda, como costumam dizer os treinadores, de ter um coletivo.
Dirão, certamente, os benfiquistas mais pessimistas que estas derrotas europeias não deixarão, porventura, de provocar inevitável mossa no futuro imediato da equipa; dirão os mais otimistas que sair, desta vez, da Europa poderá ser, quem sabe, a solução que leve a águia a encontrar a estabilidade que precisa e o foco indispensável à mais importante das competições, que é inegavelmente o campeonato, ainda mais numa época que qualificará diretamente apenas o campeão para voltar à Champions.
Compreende-se, naturalmente, a forte desilusão dos adeptos e o impacto negativo na própria equipa de mais esta derrota (será que foi assim tão surpreendente?) na grande prova europeia de clubes. O Benfica não está, na realidade, a saber gerir as expectativas criadas, e o momento das águias, afinal, parece dar razão aos que consideraram um feliz acaso as duas vitórias (importantes e significativas, sem dúvida) sobre o grande rival FC Porto.
As palavras do próprio Roger Schmidt, afirmando, na véspera de receber a Real Sociedad, que para as águias as vitórias mais importantes são as obtidas sobre os portistas, por mais intencional que tivesse sido o tom de brincadeira, não deixam de revelar o estado de espírito de um treinador que sabe, perfeitamente, que esta sua segunda versão da águia está (inexplicavelmente?) ainda longe de chegar aos calcanhares da primeira, por maior que seja a expectativa criada por reforços como Kokçu, Dí Maria ou mesmo o ainda desconhecido Arthur Cabral.
Este Benfica não parece ainda, na realidade, uma equipa e é isso, certamente, o que mais preocupa os adeptos. Em plena Luz, e sob o olhar de muitos milhares de benfiquistas, a águia teve ontem, não há outro modo mais objetivo de o dizer, momentos em que se viu a levar um autêntico banho de bola de um adversário espanhol que é forte, joga muito bem, tem um coletivo mais estável e há mais tempo construído, que começou em bom nível o seu campeonato apesar de, entretanto, já ter descido ao 5.º lugar, mas não é, de todo, uma equipa, volto a sublinhar, da primeira linha europeia, e esse facto penaliza ainda mais a pobre exibição do campeão português.
Há uns anos, sobre a ambição das equipas portuguesas nas provas europeias ao mesmo tempo que tinham de discutir os títulos nacionais, popularizou-se, de certo modo, a expressão ‘ter ou não ter rabo para duas cadeiras’. Pois agora, ao ver-se a águia tão depenada na Liga dos Campeões (três jogos e zero pontos e, pior do que isso, com dois jogos já realizados em casa!!!), o que me ocorre é a ideia deste Benfica em segunda versão de Schmidt estar a mostrar não ter, na verdade, ‘rabo para duas cadeiras’, e nesse sentido, por mais cruel que possa inicialmente parecer, talvez o melhor mesmo para as águias seja, desta vez, repito, dizer adeus à Europa e poderem, assim, focar-se nas competições internas, muito em especial no campeonato, evidentemente, porque, queiram ou não os mais saudosistas dos velhos sucessos europeus, é o campeonato a prova mais importante para qualquer dos nossos mais fortes competidores.
Uma palavra final, naturalmente, para a extraordinária réplica dada pelo SC Braga ao todo poderoso Real Madrid. Admito, aliás, que faça a águia corar um pouco mais de vergonha!"

UM ADEUS À CHAMPIONS SEM HONRA E NEM GLÓRIA

 


"Benfica 0 - 1 Real Sociedad

3 derrotas e zero golos marcados. Hoje a diferença foi entre uma equipa organizada e dinâmica - a deles - e outra aos repelões, sempre em esforço, sempre incapaz - a nossa.
Salvou-se JOÃO NEVES, que é o nosso grande orgulho. Depois ANTÓNIO SILVA e OTAMENDI. E TIAGO GOUVEIA a provar que merece ter mais chamadas. E ê tudo.
E EU AMO O BENFICA!!!"

COMITÉ DE ÉTICA DA FIFA

 


"FIFA tem vindo a atualizar o seu quadro regulamentar para proporcionar maior proteção às vítimas de discriminação e abuso

Na mesma semana em que se tornou notícia a amnistia aplicada pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) em processo relativo a práticas abusivas e discriminatórias praticadas por treinador, a FIFA publica também uma decisão do Comité de Ética relativa a um treinador de escalões jovens da República Democrática do Congo, considerado culpado de abusar sexualmente de jogador menor.
Este caso surgiu na sequência de graves alegações relacionadas com o abuso sexual de menores na Federação de Futebol da RD do Congo feitas em diversas plataformas de comunicação social.
Ao decidir este caso, a câmara adjudicatória teve em conta as provas recolhidas durante as investigações e ficou confortavelmente convencida de que o Sr. Bukabakwa tinha violado o artigo 24 do Código de Ética da FIFA, tendo interdito o treinador de todas as atividades relacionadas com futebol por 20 anos, bem como aplicado uma multa avultada.
A FIFA adiantou que a decisão tomada está em linha com a abordagem de tolerância zero da instituição a todas as formas de abuso no futebol, que tem vindo a atualizar o seu quadro regulamentar nos últimos anos para proporcionar uma maior proteção às vítimas de discriminação e abuso ou assédio sexual.
A FIFA também fornece um sistema de denúncia confidencial, dedicado, altamente seguro, para que os indivíduos possam relatar quaisquer preocupações."

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

O CONSERVADOR E O ATREVIDO



 "O que têm em comum Samuel Soares e Trubin? Otamendi, Tomás Araújo, João Vitor? Aursnes e Florentino? Di Maria e Gonçalo Guedes? Rafa e Tiago Gouveia? Musa e Tengstedt? Todos eles já foram chamados a jogo por Roger Schmidt, nesta temporada. O nosso treinador já colocou em campo cada um dos jogadores do plantel principal, estratégia de gestão classificada por alguns especialistas como conservadorismo. Portanto, com Roger Schmidt ao leme, já se percebeu, alemão não recorre aos demais plantéis à disposição.

Não vemos defesas-centrais a despontar aos 26 anos vindos da equipa B - até porque o mais velho tem 22 -, e ao fim de 8 jornadas, ainda não teve a ousadia de encontrar um jovem promissor para lançar. Como acabámos de perceber, Schmidt não promove grande rotatividade. João Neves, que acaba de se estrear na seleção nacional, apareceu na reta final do ano passado depois de ter ganho um lugar na equipa através de um concurso numa página de Facebook. Curiosamente, o mesmo concurso que já tinha sido ganho pelo António Silva.
Nesse aspecto, o treinador portista, por exemplo, é bem mais corajoso a apostar nos miúdos - basta ver o arrojo que tem demonstrado com as sucessivas oportunidades dadas a Francisco Conceição, depois do mesmo empenho com o Rodrigo na época passada. E mais altruísta, também. Porque, perante a integração moderada de um novo avançado na equipa, deve-se falar de fracasso e desilusão, mas em relação ao envio de um extremo de 10 milhões para o bês, os termos corretos são paciência e moderação.
Em pouco tempo, Roger Schmidt já conseguiu atrair um nível de críticas e desconfiança que não deixam margem para qualquer dúvida: está a fazer um excelente trabalho no Benfica!"

Pedro Soares, in O Benfica

CONTAS À MODA DO PORTO



 "Talvez já tenham ouvido falar de expressão 'contas á moda do Porto', mas é urgente que se retifiquem dicionários de ditos populares. E rapidamente. É porque aquilo que antes se conhecia por cada um pagar o que deve e consumiu, na altura de se fazerem as contas de uma despesa em conjunto, ganhou todo um novo significado.

A apresentação das contas do FC Porto, quase à socapa em dia de jogo da equipa da FPF, está a dar que falar. Mas pouco, não vá alguém sofrer as consequências, como Co Adriaanse... O terceiro maior prejuízo de sempre da SAD azul e branca (cerca de 48 milhões de euros), com capitais proóprios negativos de 175 milhões de euros e um passivo de 500 milhões, além das dívidas a clubes, atletas e fornecedores, passou ao lado da comunicação social adepta de Pinto da Costa e companhia. Não interessa nada falar do caos financeiro com as eleições à porta, dos prémios de 1,8 milhões de euros pagos aos administradores, das exageradas comissões aos empresários amigos de causa ou das discrepâncias na faturação da bilheteira, um dos ganha-pães da claque pretoriana do clube.
O que interessa é estar em amena cavaqueira antes dos jogos da seleção ou apelar a que não se assobie João Félix no Estádio do Dragão e fazer disso um elogio à conduta do mais insultuoso e provocador dirigente do futebol português. Não há limites para a falta de vergonha na cara de quem pactua com este tipo de comportamentos e de gestão danosa. Estes, aqueles e os adeptos que os apoiam estão todos bem uns para os outros."

Ricardo Santos, in O Benfica

MENINO DE OURO

 


"Desde que foi construído o Centro de Estágio do Seixal, muitos têm sido os jovens lançados pelo Benfica na alta-roda do futebol nacional e internacional. Uns aparecem precocemente; outros, mais tarde. Uns chegam mais longe na carreira; outros, não tanto quanto prometiam. Depois, há os especiais. João Neves é um deles.

Recordo-me bem da sua estreia, num jogo de má memória em Braga. Esteve pouco tempo em campo, mas aquela figura, só aparentemente frágil, e parecendo vestir um número acima, ficou-me na retina. Quem era o jovem misterioso, que nem sequer havia jogado as finais da Youth League (estava na altura lesionado), e aparecia de rompante na equipa principal do Benfica?
A partir daí, João foi ganhando espaço nos convocados, entrando, com frequência, nos minutos finais dos jogos. Até meados de Abril não somou, porém, o tempo suficiente de uma partida completa. Entretanto, Enzo Fernández deixara o Benfica, e Chiquinho afirmava-se como alternativa na posição.
Veio a semana negra. O Benfica perde com FC Porto, Inter e Chaves, passando de pré-campeão anunciado, e eventual finalista da Champions, para um monte de dúvidas e inquietações.
Roger Schmidt tinha de fazer alguma coisa. E no jogo com o Estoril lançou o jovem algarvio para a titularidade. A equipa estabilizou, regressou às vitórias e selou o merecido título.
Mais do que a frescura que então trouxe no meio-campo encarnado, João Neves impressionou pela maturidade. Não entrou no onze, serenamente, com a equipa a ganhar. Entrou sob alta pressão, em momento decisivo, para resolver o campeonato. Sem tremores, nem temores, com apenas 18 anos e um punhado de exibições de altíssimo nível, resolveu-o.
Chegou agora à seleção A, certamente para ficar. É craque dos pés à cabeça, e a má notícia é que não permanecerá muito mais tempo no Benfica."

Luís Fialho, in O Benfica

SEM CLASSE, SEM CHAMA SEM ALMA E, ADEUS CHAMPIONS...

 


O Benfica perdeu com a Real Sociedad, por 0-1, em jogo da 3.ª jornada do Grupo D da Liga dos Campeões.

Noite complicada para o Benfica, que, apesar de ter tentado um pouco de tudo, nunca conseguiu encontrar soluções eficazes para contrariar a organização da Real Sociedad. Resultado? Derrota, por 0-1, em jogo da 3.ª jornada do Grupo D da Champions League.
Confirmada a presença na 4.ª ronda da Taça de Portugal, após triunfo, por 1-4, nos Açores, frente ao Lusitânia, atenções centradas e foco total na Liga dos Campeões.
Duas rondas anteriores menos conseguidas, com as águias a averbarem duas derrotas (0-2, com o Salzburgo, na Luz; 1-0, frente ao Inter de Milão, em Itália), e a 3.ª jornada a surgir com importância redobrada e responsabilidade acrescida... mas não correu nada bem!
Tarde/noite de muita chuva, frio e vento na capital, noite europeia na Catedral, e os Benfiquistas a responderem à chamada do coletivo... porque é mesmo E Pluribus Unum!
Trubin, Bah, António Silva, Otamendi, Jurásek, João Neves, Aursnes, João Mário, Neres, Rafa e Musa foram os eleitos para o onze inicial por Roger Schmidt, numa partida que teve o primeiro sinal de perigo por parte dos forasteiros, com Kubo, aos 7', a rematar ao lado da baliza de Trubin.
A resposta do Benfica não tardou, com dois cantos a colocarem a defensiva basca em alerta, mas sem consequências de maior. Numa fase em que as águias tentavam tomar conta das operações, gritou-se golo na Luz, contudo, e apesar de Musa ter colocado o esférico no fundo das redes, o lance foi anulado devido ao fora de jogo de Rafa.
Parada e resposta, com a bola a rondar as duas balizas, mas sem perigo de maior... Aos 14', Kubo rematou para defesa de Trubin; aos 18', após bom trabalho de Jurásek, Musa errou o alvo... Com os minutos a decorrerem, a Real Sociedad, mais confortável na classificação do Grupo D, colocou o seu futebol em campo, com o Benfica, algo ansioso, a sentir muitas dificuldades nos vários momentos de jogo.
Aos 26', Muñoz rematou e fez a bola passar perto da baliza; aos 29', mais um golo anulado, desta feita à formação espanhola. Méndez, de cabeça, introduziu a bola na baliza, mas o lance foi (corretamente) anulado por fora de jogo do médio da Real Sociedad.
Até ao apito para o descanso, destaque para o remate de meia distância de Otamendi, a tentar sacudir a apatia, contudo, muito por cima da trave, sintomático da desinspiração do coletivo.
Nulo ao intervalo, após uma primeira metade muito complicada para os encarnados: muitos passes falhados, sectores pouco ligados, com os bascos a dominarem os números, a posse de bola e os vetores principais do jogo, como, aliás, assumiu o técnico das águias no final do encontro.
Reatar, e as águias a subirem ao relvado com duas caras novas: saídas de Musa e João Mário, entradas de Arthur Cabral e Kökcü... era preciso fazer algo mais!
Mas a toada manteve-se e, aos 52', houve uma grande defesa de Trubin a negar o golo a Zubimendi. Aos 57', num rasgo individual, Neres tentou agitar, mas foi sol de pouca dura.
Minuto 59, Roger Schmidt mexeu novamente, desta feita na lateral, com Juan Bernat a entrar para o lugar de Jurásek. E, quando tentava reagir, o Benfica sofreu um golo. Trabalho de Barrenetxea na esquerda, cruzamento rasteiro para a pequena área, e Méndez a surgir oportuno a rematar para o 0-1 (63'). E a situação não piorou porque o ferro devolveu o remate de Kubo volvidos quatro minutos.
À procura de soluções, mais uma mexida no xadrez (69'), desta feita com a entrada de Tiago Gouveia e a saída de Neres, ele que no minuto anterior proporcionara a Remiro a primeira defesa a um remate enquadrado e perigoso.




Com muitas dificuldades, e sem nunca se encontrar verdadeiramente, é correto afirmar, o Benfica não deixou de acreditar, e, do outro lado, sentindo a ameaça, os jogadores bascos usaram e abusaram de alguns excessos neste período em particular, isto perante a complacência da equipa de arbitragem. João Neves e Tiago Gouveia bem o sentiram na pele, e Elustondo, que deveria ter sido expulso aos 77', ficou em campo...
Já com Chiquinho nas quatro linhas (saída de Bah, aos 81'), Tiago Gouveia, Kökcü e Aursnes tentaram a sorte, mas Remiro, seguro, não permitiu e aguentou a vantagem.
Até ao final, pouco a acrescentar, derrota para o Benfica, por 0-1, numa noite difícil, de desinspiração individual e coletiva, em que tudo o tentado não resultou, perante uma Real Sociedad que foi melhor e justificou os três pontos.