domingo, 25 de agosto de 2024

MENTIRAS E MANIPULAÇÕES...

 


"Nos últimos dias, a narrativa dos "puros e exigentes" adeptos - os mesmos que andam a fazer ameaças de violência física ao André Lima - é que o Benfica pretendia emprestar Prestiani e vender Tiago Gouveia.
Alguém me diz quem foi do Benfica que fez tais afirmações? O Treinador!? O Presidente!? Algum Vice-presidente!? Diretor!? Alguém!?
Lembro-me de ler isso em comentários de alguns adeptos e até mesmo em alguma imprensa desportiva. Mas já estamos a entrar naquela fase, em que benfiquistas acreditam nas mentiras que vêm no Record, CMTV e afins e com isso acusam a Direção de falta de planeamento e incompetência. Depois se as coisas não correm como os boatos que a comunicação social lança, criticam porque não emprestaram ou venderam e que não existe planeamento.
Estamos assim neste momento. No Benfica as pessoas são incompetentes por fazer o que vem na imprensa e desgovernadas se não fizerem.
Tudo o que os outros fazem, há benfiquistas que elogiam e tudo o que o Benfica faz serve para o criticarem. Se chega ao FC Porto um avançado que ninguém conhece, aqui del-rei que já perdemos o campeonato, mas se temos 2 campeões do mundo no plantel, aí Jesus que lá vamos nós.
Hoje é dia de ir ao estádio da Luz!
Hoje é dia de Sport Lisboa e Benfica 🔴⚪🦅"

Alberto Mota, in Facebook

sábado, 24 de agosto de 2024

UMA ÁGUIA MUITO ESTÉRIL...

 



O golo de Kokçu cedo animou os adeptos, mas foi apenas um momento de inspiração. Talvez o único do Benfica.

Ainda não foi desta que o Benfica afastou os múltiplos fantasmas que o têm atormentado nos últimos tempos. Houve muita pressão sim, houve também muitos remates e diversos deles enquadrados, um golo marcado relativamente cedo, mas, tudo espremido, vitória magrinha, serena e desprovida de magnetismo.
Contraste absoluto com a derrota frente ao Famalicão e também com a palidez da primeira hora com o Casa Pia. Kokçu marcou cedo, mas andou sempre a pairar na cabeça dos benfiquistas a possibilidade de o Estrela, num raide inesperado, marcar. Nunca esteve perto de o fazer, claro que não, o que não implica, longe disso, que a exibição do Benfica tenha deixado os adeptos descansados. Não deixou.
Com Otamendi de regresso ao onze, Tomás Araújo a manter-se por lá e com Kokçu a entrar para o lugar de João Mário, Roger Schmidt deixou Di María no banco, talvez dando tempo a que o argentino melhore a condição física. Ou dando algumas indicações de que, se for preciso, ao contrário do que aconteceu na época passada, o campeão do Mundo poderá dividir a época entre banco e relvado.
O Benfica entrou em campo como se não houvesse amanhã. Nem sequer depois de amanhã. Pressão intensa sobre os adversários e, sobretudo, sobre a linha mais recuada do Estrela da Amadora, impossibilitando que o adversário tivesse bola para jogar e tempo para pensar o que fazer com ela. Porém, o sufoco a que o Benfica ia submetendo o Estrela da Amadora começou por ser um sufoco estéril, sem grande perigo junto da baliza de Bruno Brigído.
Pouco depois, porém, a esterilidade do ataque encarnado teve o seu momento fértil, quando sucessivas trocas de bola entre Florentino Luís, Aursnes e Pavlidis colocaram à bola, sobre a esquerda, à mercê de Kokçu. O pé direito do médio turco colocou a bola no fundo da baliza estrelista, ficando a sensação de que o guarda-redes brasileiro poderia ter feito algo mais, apesar da potência do remate.
Só quando a primeira parte ia bem lançada, talvez por volta da meia hora, se confirmou que, sim senhor, Trubin estava em campo. Até aí, o ucraniano passara tão despercebido que bem poderia ter passado o primeiro terço de jogo encostado a um dos postes. O Estrela defendia razoavelmente bem, mas não conseguia dar dois passos em frente e criar perigo na outra baliza. Era, no fundo, como se a equipa jogasse apenas em dois terços do campo e, quase sempre, no terço mais complicado: o primeiro.
Pouco depois da meia hora, o contratempo de Schmidt ver Aursnes lesionar-se. E aí nasceu, embora de forma momentânea, a dúvida: entre Di María ou Tiago Gouveia? O alemão optou pelo segundo, talvez confirmando que o argentino não está a cem por cento e que, por isso, o português, para já, está um degrau acima. Tiago Gouveia entrou para o lado esquerdo, como se vira frente ao Casa Pia, com Prestianni e Kokçu a dividirem a zona central e o lado direito.
A segunda parte foi quase uma fotocópia de grande qualidade da primeira. O Estrela pareceu um pouco mais desinibido, tentando (mas não conseguindo) chegar perto de Trubin. O Benfica continuou igual, com defesa segura, meio-campo sem erros, ataque criando hipóteses de golo, mas sem impacto prático. Muito esterilidade e mais nenhum momento fértil como o de Kokçu ao minuto 14.
O Benfica ganhou de forma totalmente merecida, mas continua a dever aos adeptos uma exibição de encher o olho.

ATÉ O VERDÍSSIMO ACHOU QUE ERA DEMASIADO!!!

 


RARAMENTE SE ENGANAM!!!

 



"João Félix assina pelo Chelsea.
“Para os parvalhões das redes sociais o Record raramente se engana”. - Bernardo Ribeiro
João Félix entra na parte do azar!? 😏"

Alberto Mota, in Facebook

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

TRETA...

 


"Mais uma tanga do Correio da Manhã/CMTV. Jogador extremamente irregular e caro, e a sua ligação ao empresário Catió Baldé encerra de vez o rumor."

De Águia ao Peito, no Facebook

SVEN-GORAN ERIKSON

 


"UMA LIÇÃO E UMA INSPIRAÇÃO

Erikson revolucionou o futebol do Benfica e o próprio futebol português assim que aqui chegou no verão de 1982 para treinar o Glorioso, deixando muitas lições e inspirações para os treinadores vindouros, lições e inspirações essas que ainda hoje se mantêm atuais.
O incrível comportamento que tem tido enquanto cidadão vítima de doença terminal, que assumiu com coragem e frontalidade comoventes, deixa-nos lições e inspirações a todos nós, simples seres humanos.
Ontem tomámos conhecimento de uma mensagem que não posso deixar de aqui partilhar:
"Acho que todos temos medo do dia em que iremos morrer, mas a vida é também sobre a morte. Espero que se lembrem de mim como uma pessoa positiva que tentou sempre fazer o máximo. Não fiquem tristes, sorriam. Obrigado a toda a gente, treinadores, jogadores, adeptos. Foi fantástico. Cuidem de vocês e das vossas vidas. Vivam-nas... adeus."
Jamais o esquecerei, Mister, como uma pessoa positiva, mas, peço desculpa, não dá para sorrir perante uma mensagem que termina com "adeus".
Sorte nossa que o pudemos homenagear, à Benfica no passado mês de abril."

Jaime Cancella de Abreu, in Facebook

AGARRADOS UM AO OUTRO 11 HORAS E 40 MINUTOS COMO ROCHEDOS

 


"Martin Klein e Alfred Asikeinen protagonizaram uma luta greco-romana infinita


Tarvastu é uma cidade na Estónia que viu nascer Martin Klein, um dos melhores na luta greco-romana de todos os tempos. Ninguém percebeu muito bem por que é que, em 1912, nos Jogos Olímpicos de Estocolmo, Martin, que já tinha uma carreira firmada, resolveu renegar a pátria e surgir integrado na delegação da Rússia czarista. A verdade é que, com essa opção, acicatou muitos dos adversários que, pertencendo a países fronteiriços da Rússia encontraram em si próprios mais vontade ainda de lhe encostar as espáduas ao chão. Ora um deles foi precisamente Alfred Johan Asikainen, conhecido por Alpo, natural de Viipuri, uma cidade que não por acaso pertenceu à Finlândia e hoje faz parte do território russo, junto ao canal de Saimaa, no Golfo da Finlândia, a pouco mais de cem quilómetros de São Petersburgo. Ninguém em Viipuri gostava de russos e pelos vistos com razão, não tivessem eles tomado a cidade na primeira oportunidade que lhes surgiu. Mas, em 1912, as coisas ainda estavam apenas na corda bamba quando Klein e Asikeinen se defrontaram numa das meias-finais da modalidade que era a da sua paixão. Toda a gente que gostava de luta greco-romana se entusiasmou com o combate para homens de 75 kg. Estariam frente a frente dois candidatos à medalha de ouro e o confronto prometia. Prometia mesmo muito, mas cumpriu muitos mais do que alguém pudesse sequer ter imaginado.
Acrescente-se que o Império Russo tinha assumido desde 1809 a Finlândia como uma das suas províncias e só a forte simpatia do Comité Olímpico Internacional pela luta finlandesa pela independência pôde permitir que surgisse uma delegação à parte sob o título de Grão-Ducado da Finlândia. Os russos reclamaram como puderam mas viram as suas pretensões darem com os burrinhos na água, sobretudo porque os organizadores suecos também ficaram do lado dos seus vizinhos. E assim sendo, como que as partes se viraram ao contrário: Alpo defendeu as cores da Finlândia, fugindo do torniquete russo, e Martin largou as cores da Estónia para se apresentar sob a bandeira russa.
Foi numa tarde de calor abrasador, a mesma canícula que seria fatal para o português Francisco Lázaro na maratona, que Klein e Asikeinen começaram naquele esforço muitas vezes irritante de se agarrarem um ao outro procurando desequilibrar o opositor. Pareciam dois rochedos. Nem sequer abanaram durante os primeiros quinze minutos. Quinze minutos?!, perguntará o leitor e com toda a razão. Sim, ainda não havia um período de tempo a balizar os combates e estes prolongavam-se até que um dos lutadores imobilizasse o adversário. O público fixava os olhos naquela massa de músculos e tendões que pareciam ser um homem só embora nele batessem dois corações. E com isto decorreu uma hora sem que nenhum baixasse a guarda. A pouco e pouco, conforme os minutos passavam, o combate começava a tornar-se um problema. Asikeinen era visto como melhor lutador do que Klein – até porque fora campeão do mundo no ano anterior –, mas não conseguia demonstrar a tal propalada superioridade. Ao fim de duas horas e meia de suor os espetadores começaram a bocejar. Convenhamos que dois matulões num esfrega-esfrega contínuo não era assim tão interessante se nenhum deles fosse ao chão. Afinal era esse o objetivo da modalidade, ou não era? Numa teimosia bovina, resfolegavam ambos num esforço baldado. E foram resfolegando por aí fora até à exaustão. O combate entre Martin e Alfred ficou para a história dos Jogos Olímpicos conhecido como um jornalista britânico no local o classificou: «The Match That Wouldn’t End». Mas acabou. Ao fim de onze horas e quarenta minutos absolutamente terríveis e, aceitemos, enfastiantes. O bronze ficava para Asikeinen e Klein iria decidir contra o sueco Claes Johnson qual levaria para casa o ouro. Pois… Mas ninguém aguenta onze horas e quarenta minutos de combate sem sair deles um tanto amachucado. O rapaz nascido naEstónia, que somava à época 28 anos, viu-se e desejou-se para dormir nessa noite tal as dores que o exauriram por completo. A vitória sobre Alpo acabou por ser digna de Pirro, o rei do Epiro e da Macedónia, que depois da Batalha de Ásculo, travada em 279 a.C. contra os romanos, suspirou: «Outra vitória como esta e estamos acabados», tal fora a dimensão da destruição dos seus exércitos. Absolutamente de rastos, Martin Klein não compareceu na final e entregou a medalha de ouro de mão beijada ao seu adversário sueco. Já Asikeinen regressou a casa como um herói dando razão ao que Brecht escreveria uns anos depois: «Nem todos os que regressam a casa são vencedores mas não há vencedor que não regresse a casa»."

Afonso de Melo, in Sol

ELEIÇÕES ANTECIPADAS NO BENFICA

 


"Aqui está um tema que reaparece sempre que o Benfica tem um insucesso desportivo ou é (re)publicada uma notícia polémica. Antes de abordar este assunto, um pequeno contexto histórico que nos vai ajudar a analisar este cenário. benfiquistas aguardam para votar.
Tenho memória de 5 situações recentes em que foram convocadas eleições antes do final dos mandatos (certamente existirão mais na história centenária do clube):
- Jorge de Brito demite-se em Dezembro de 93 na sequência do Verão quente e das dificuldades financeiras do clube.
- Manuel Damásio cumpriu 2 mandatos no tempo de 1 devido à falta de resultados desportivos. Convocou eleições em 96, nas quais derrotou Vale e Azevedo, e depois novamente em 97 após demissão, mas aqui já não se recandidatou e Vale e Azevedo foi eleito vencendo Luís Tadeu por margem mínima.
- Vieira provocou a demissão em bloco dos órgão sociais em Junho de 2009 para encurtar o tempo de preparação a José Veiga que preparava uma candidatura em Outubro do mesmo ano.
- Tivemos eleições antecipadas em Outubro de 2021 na sequência da detenção e renúncia de Vieira.

O que aprendemos com todas estas situações?
Obviamente todas elas surgem de situações de instabilidade diretiva ou desportiva, mas os motivos podem ser diferentes. Pode ser uma medida estratégica para reafirmar a liderança e eliminar contestação (Vieira e Damásio). Acontecem também em situações em que a direção vigente se encontra altamente pressionada e sem condições para se manter em funções devido à pressão dos sócios (Jorge de Brito e Damásio) ou ainda por situações imprevistas e impensáveis como problemas com a justiça ou mesmo a morte (Vieira foi detido em 2021 e o Brigadeiro João Tamagnini Barbosa faleceu em funções em 1948). Resumindo, temos então 3 cenários para a convocação de eleições antecipadas: estratégia, instabilidade diretiva/desportiva e situações de força maior.

A situação atual
É um facto que a direção de Rui Costa tem tido um mandato instável. De 2021 para cá o Benfica foi campeão em 22/23 e venceu a supertaça 23/24, francamente pouco para um clube deste calibre. Em termos diretivos a coisa também não tem sido fácil com várias saídas que deixaram marca, Luís Mendes à cabeça. A situação financeira do clube também dá sinais de alguma fragilidade, apesar das crónicas vendas dos nossos melhores atletas, e a pressão e insatisfação dos sócios tem subido de tom e sente-se em todos os jogos e assembleias, o que torna a situação cada vez mais difícil de gerir.

Então neste contexto o cenário de eleições antecipadas no Benfica seria positivo, certo?
Não necessariamente. Se me disserem que Rui Costa antecipa as eleições e não se recandidata… então sim, nesse caso teremos forçosamente uma mudança. Mas, sejamos francos, este é um cenário altamente improvável por tudo aquilo que temos visto.
É preciso entender que historicamente praticamente todos os Presidentes do Benfica desde 1964 venceram as eleições após um primeiro mandato, a única excepção foi Vale e Azevedo em 2000 que perdeu para Manuel Vilarinho após um período de 3 anos de caos absoluto. Todos os outros Presidentes que se recandidataram para um segundo mandato venceram, fosse qual fosse o contexto geral do clube. Rui Costa vai para um segundo mandato, existe contestação mas pouco organizada e o seu nome continua a ter um enorme peso junto dos benfiquistas… bem, já perceberam onde quero chegar. lista de eleições no Benfica:

É fundamental que todos os que se opõem a esta direção tenham perfeita noção do caminho tremendamente difícil que espera qualquer adversário eleitoral do atual Presidente. Será necessário um grande trabalho de sensibilização para demonstrar que existe um caminho alternativo ao que temos percorrido nos últimos 21 anos, mas isso demora tempo. E esse tempo existe até Outubro de 2025, mas não se for encurtado significativamente. Por este motivo, é um enorme tiro no pé ver aqueles que clamam por mudança exigirem eleições antecipadas. Este cenário apenas beneficiaria a atual direção, que tem ao seu dispor uma máquina de propaganda muito eficaz, e iria reduzir dramaticamente o período de preparação e sensibilização que é necessário para que a tal mudança aconteça, tal como em 2009 com Vieira e José Veiga. Não que este fosse uma boa alternativa, mas entendem onde quero chegar. É olhar para o resultado prático.
Vamos então acalmar, respirar fundo, tocar a relva. Ninguém gosta de ver o Benfica neste ciclo negativo, mas é preciso continuar a debater o nosso clube de forma responsável e inteligente, apresentando factos e caminhos alternativos com cabeça e estratégia. Faixas insultuosas penduradas num viaduto não resolvem nada, lamento. Aliás, não só não resolvem como têm um efeito contrário ao pretendido no benfiquista comum, aquele que não se encontra numa trincheira e só quer ver a sua equipa ganhar. E estes também votam e são decisivos.
A mudança que tanto desejamos não se dá de hoje para amanhã, leva tempo e é preciso paciência. Saibamos lutar por aquilo que tanto desejamos de forma responsável. Até lá, mãos à obra, foco e militância benfiquista!"

Nuno Picado, in Benfica Independente

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

O AQUI E AGORA DE SCHMIDT E AMORIM




Se Roger Schmidt não encontra explicação para a derrota em Famalicão, condene-se; se Rúben Amorim não encontra explicação para a derrota na Supertaça, absolva-se.
Vivemos no tempo do aqui e agora, sem tempo para pensar ou refletir, sem tempo para perceber que somos prisioneiros do momento, do imediato, sem tempo de olhar em frente, para lá de dois passos, sem tempo de parar ou descansar, sem tempo de escutar ou debater, mas com tempo de sobra para sabermos que de tudo sabemos, com tempo de sobra para que de uma microanálise possamos tirar grandes conclusões, com tempo de sobra para procurar quem diz o que queremos ouvir, com tempo de sobra para não perder tempo com quem diz o que só queremos ignorar.
Esta experiência do aqui e agora, do brilho e das trevas, é ainda mais histérica e sensacional quando olhamos para o futebol, no qual vendas ou contratações, decisões táticas de treinadores ou explicações de presidentes, um remate falhado ou um penálti assinalado por um árbitro são piores que ofensas. Não haverá volta a dar quando se tenta convencer quem convencido está, quando as sentenças são produzidas em julgamentos instantâneos e sumários, sem apelo nem agravo. Não há volta a dar quando se tenta parar o vento com as mãos.
Vem isto a propósito deste início de época, no qual o Benfica começou a perder e tudo já perdeu, o Sporting começou a perder por um acidente que só razões metafísicas poderão justificar mas voltou ao caminho de um sucesso que o esperará, o FC Porto entrou a ganhar e a tudo resistirá.
Se Roger Schmidt não encontrou explicação para a derrota com o Famalicão, condene-se. Se Rúben Amorim não encontrou explicação para a derrota com o FC Porto na Supertaça, absolva-se. Pouco importa que ambos tenham explicado depois as derrotas em conferência de Imprensa. Valide-se a decisão da primeira instância.
Se o Benfica vende David Neres, cujas qualidades Schmidt elogiou, condene-se. Se o Sporting vende Mateus Fernandes, cujas qualidades Amorim elogiou, absolva-se. De nada ou pouco valerá apresentar justificações para quem vai sempre validar o que já julgou.
Não é de agora, e todos sabem, que quando se ganha tudo está bem e pouco ou nada mais importa; e que quando menos se ganha muito ou tudo o resto importa.
Isto não quer dizer, entendamo-nos, que alguém se possa eximir das responsabilidades, que haja escrutínio ou cobrança, críticas negativas ou até protestos, que se questione ou discorde, chame-se Rui Costa ou Roger Schmidt.
O que já parece mais difícil encontrar é quem seja julgado nos termos das mesmas leis. E, entendamo-nos noutro assunto, não é Rúben Amorim, de quem temos de admirar a capacidade de dizer muito mesmo sem poder dizer tudo, que está aqui em causa. Nem Roger Schmidt, que esta época, mesmo que poucos tenham dado por isso, parece esforçado em recuperar a comunicação que tantos convenceu quando ganhou. O que está aqui em causa somos todos, a nossa incapacidade de fazermos o mesmo julgamento para situações idênticas e de não ouvirmos Schmidt como, por exemplo, ouvimos Amorim.
Sendo o futebol um negócio e uma indústria do aqui e do agora, nós, jornalistas, deles somos vítimas, mas também culpados. Muitas vezes aqui errei. Só temo que não fique por aqui.

Nuno Peralvas, in A Bola 

FUTEBOL FEMININO: NÃO BASTA TER, É PRECISO CUIDAR

 


"Jogos da equipa masculina do Sporting 'caem' em cima da meia-final e da final da Supertaça feminina, na qual os leões marcam presença. É difícil o caminho da evolução, mas não tem retorno


A frase é batida, de tão óbvia. Aplica-se a amores, a plantas, a animais. Em relação a filhos é apenas uma redundância, já que ser-se mãe ou pai implica desde logo a obrigação (até legal) de cuidar.
O futebol feminino tem conhecido um crescimento exponencial em Portugal. Sabe-se, porém, que muito ainda o separa do universo masculino, a começar nos valores envolvidos e no interesse do público, que por sua vez gera viabilidade comercial e melhores oportunidades de aumentar volumes de negócios.
A utopia da igualdade talvez possa, à luz do que tem acontecido, começar a considerar-se uma aspiração, em jeito de meta de longo prazo. É para isso que têm trabalhado as instituições, cientes de que transformações destas — que implicam alterações de mentalidades — levam sempre muito tempo. Têm-no feito, as instituições, de um modo geral muito bem, mas há sempre dores de crescimento.
O que sucedeu com uma meia-final da Supertaça feminina e vai suceder na próxima sexta-feira com a final constitui um exemplo dois em um elucidativo da forma como muita coisa, antes das mais difíceis e estruturais, pode melhorar: o Racing Power-Sporting da meia-final, no último sábado, iniciou-se meia hora antes do Nacional-Sporting para a Liga masculina; na próxima sexta-feira, a final feminina entre Benfica e Sporting, no Restelo, começa às 20h45 e o Farense-Sporting da Liga masculina às 20h15.
Conciliar calendários constitui, sem dúvida, uma das tarefas mais exigentes para clubes, Federação e Liga ao longo de uma época. As datas da Supertaça feminina foram definitivamente estabelecidas e divulgadas a 17 de julho. A final e o jogo de 3.º/4.º lugares disputam-se numa sexta devido ao início da Liga BPI e posterior participação dos dois finalistas na Liga dos Campeões. Claro que não se sabia que os finalistas seriam Benfica e Sporting, mas havia (ou deveria ter havido) noção de que tal tinha sérias probabilidades de suceder. Os horários das quatro primeiras jornadas da Liga foram divulgados seis dias depois, a 23 de julho.
Em tese, neste caso, teria cabido ao Sporting a tentativa de acautelar a situação, que não permitirá, por exemplo, a presença dos seus mais altos representantes no Restelo e pode prejudicar a afluência de adeptos, porque o futebol masculino vai captar a atenção de larga maioria dos sportinguistas.
Devagar, e aprendendo com os lapsos, o futebol feminino português vai continuar a crescer. Só precisa que cuidem(os) dele."

Alexandre Pereira, in A Bola