quarta-feira, 25 de março de 2026
BANJAQUI, DEDIC E BAH: QUEM SERÃO OS 2 LATERAIS DO BENFICA?
RUI COSTA A PENSAR E A FAZER BEM
Renovações com campeões do mundo sub17 são boas notícias para o Benfica, mesmo num plano de contingência que possa ter de ser aplicado.
Anísio Cabral renovou, Daniel Banjaqui já o fez e só falta o anúncio e, como escreve A BOLA, seguir-se-á José Neto. Três notícias boas para o Benfica e que, provavelmente, são uma das intenções mais lúcidas do presidente Rui Costa a nível da gestão desportiva. Porém, como tudo que é estratégico, terá de ter aplicação prática.
Como primeiro ponto é preciso revelar os três rapazes. A qualidade que têm demonstrado, já com provas na equipa principal. Sabemos que no futebol hoje pode estar-se no topo e amanhã dar-se um trambolhão. Não faltam exemplos no Benfica, já agora, de que assim é.
Posto isto, viremo-nos para as implicações das anunciadas renovações, que terão sempre de passar por uma aposta do treinador. Anísio, Banjaqui e Neto estarão nos planos para o plantel de 2026/27. Assim sendo, pode ser o fim do «scouting de emergência». Sob a batuta de uma estrutura técnica que os valorize (a presença de Mourinho no horizonte do clube e as suas próprias declarações sobre os jovens reforçam esta exigência), estes jogadores entram no balneário com selo de qualidade, criam uma base forte da formação e permitem ao Benfica ter também um núcleo que sente a mística. Mais importante, reduzem a necessidade de ter «suplentes de mercado» que custam milhões em comissões e salários e de qualidade por comprovar, como Issa Kaboré ou Jan-Niklas Beste.
Com a Champions em risco, apostar nestes talentos é também a forma mais eficaz de conter custos sem perder competitividade. Cada vaga no plantel principal preenchida por um Neto ou um Banjaqui é um investimento de milhões que o Benfica deixa de gastar num jogador vindo do estrangeiro e uma redução na folha salarial. Ou seja, converte-se o talento do Seixal em capital próprio, garantindo que o orçamento de transferências pode ser canalizado apenas para contratações cirúrgicas e diferenciadoras, como Mourinho seguramente «pedirá».
No entanto, para que a estratégia seja mestre e não apenas cosmética, é imperativo que estes jovens sejam, no mínimo, segundas opções reais. O tempo das «chamadas para treinos» acabou.
Se Banjaqui e companhia ficarem na bancada a ver passar minutos, o ativo desvaloriza e a motivação quebra. A estratégia só será efetiva se o treinador tiver a coragem de os lançar não só quando o titular vacila, mas numa lógica de gestão do plantel e de evolução do trio. Só assim o Benfica poderá vir a ter, em 2026/27, jogadores prontos para a titularidade absoluta e/ou para vendas astronómicas.
Rui Costa segurou o talento (perante assédio europeu também), mas o sucesso depende da evolução em campo. Se a estratégia for bem executada, o futuro do Benfica não está no mercado; está a assinar contrato no gabinete do presidente.
Luís Pedro Ferreira, in a Bola
terça-feira, 24 de março de 2026
Memórias de uma Luz que não se esquece | Canto do Benfica
DAZN F1 - Qual o futuro de Wheatley?
SEM AURSNES A BANDA NÃO TOCA
Resultado largo na Luz poderia indiciar melhorias, mas Benfica continua curto e ainda à procura de uma identidade. O problema é que faltam sete jogos para terminar a época...
Finalmente com semanas limpas para trabalhar, depois do adeus às Taças e também à Liga dos Campeões, e apenas um jogo a cada sete dias, esperava-se que o Benfica pudesse, finalmente, ser convincente e mostrar uma versão que ainda não se viu esta época, e tão longa que ela já vai. O 3-0 de ontem frente a um Vitória de Guimarães em crise desde que ganhou a Taça da Liga podia ter sido revelador de uma equipa mandona, mas, depois de ter sido encostado às cordas pelo Arouca, na passada jornada, voltou a aparecer uma águia tímida e que não fez por justificar vitória tão confortável.
É certo que o Benfica disso não teve culpa e aproveitar os erros alheios também exige mérito e até permitiu que Ríos desse um ar de sua graça, mas, ao ver os três golos oferecidos, foi fácil perceber o porquê de os vimaranenses estarem mergulhados numa espiral tão negativa de resultados desde há dois meses.
A estatística, já se sabe, não ganha jogos, mas expõe muitos defeitos e virtudes e o facto de o Vitória ter tido mais bola ou remates indicia a postura pouco enérgica e autoritária contra adversários inferiores que o Benfica tem revelado. Depois do empate no clássico com o FC Porto, Mourinho abriu a ferida de um plantel desequilibrado e expô-la para o país (e Rui Costa) ver, dizendo que, não tendo Aursnes ao dispor, a música é outra. E é mesmo. Porque, depois de Florentino e Kokçu terem carregado a cruz de uma época de insucesso e sido trocados por Barrenechea — agora até já adaptado a central e a relegar Gonçalo Oliveira para a bancada (é a tal aposta na formação...) — e Ríos, que custaram mais de 40 milhões de euros, continua a ser o norueguês o cimento que tudo cola e que faz a equipa funcionar. Para a frente, para trás, e para os lados.
Por isso, a Mourinho convirá encontrar outra fórmula, porque alcançar o FC Porto no primeiro lugar parece uma missão praticamente impossível, mas o segundo lugar, de Champions, é muito diferente do terceiro, da muito menos prestigiante e rica Liga Europa, e esse está perfeitamente ao alcance.
Hoje há domingo gordo, na ressaca dos brilharetes europeus. No Minho, o espetáculo está prometido entre o atrativo SC Braga de Carlos Vicens e o FC Porto, que voltou a ter a frescura do início de época na sua fase mais decisiva. Antes disso, o Sporting, motivado pelo impressionante amasso dado ao Bodo/Glimt, terá jogo trabalhoso em Alverca, que, pontuando, irá para a pausa das seleções com a manutenção bem encaminhada.
Francisco Vaz de Miranda, in a Bola
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