quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

UM MÊS DE BENFICA PLAY


"O Benfica Play está quase a completar um mês de vida e é com enorme satisfação que temos constatado o impacto muito positivo gerado pelos conteúdos disponibilizados na nova plataforma de comunicação do Sport Lisboa e Benfica.
Inserido na política de aproximação aos benfiquistas, mas também considerado uma ferramenta essencial noutros dois eixos estratégicos de desenvolvimento do Clube, a internacionalização e o digital, o Benfica Play apresenta, diariamente, conteúdos diferenciados em torno da actividade do Clube e, principalmente, dos seus protagonistas.
Entre muitos outros conteúdos exclusivos, tivemos oportunidade de conhecer os bastidores do primeiro treino do ano da nossa equipa principal de futebol, a decoração do balneário em Alvalade e o grito dos jogadores antes do jogo com o Sporting, a preparação dos equipamentos e os momentos no túnel de acesso ao relvado em Paços de Ferreira ou as rotinas dos nossos basquetebolistas antes dos jogos, aproveitando a participação na Taça Hugo dos Santos.
Ficámos também a conhecer um pouco mais João Félix, Gonçalo Guedes e Bernardo Silva na série "Seixal não falha", nomeadamente o seu percurso no Benfica e o seu benfiquismo. Assim como André Almeida, um dos "Protagonistas" em destaque, além de, por exemplo, Pedro Henriques, o nosso magnífico guarda-redes de hóquei em patins, igualmente talentoso na guitarra portuguesa, ou Telma Monteiro, a melhor judoca portuguesa de sempre, na série "Só há um Benfica".
"Benfica no mundo", "Fun(ny)", "Momento do jogo", "Honrar a história", "MVP", "Matchday" e "Só nós sentimos assim", são, para já, as restantes séries.
À semelhança das visitas guiadas ao Benfica Campus, no Seixal, aproveitada já por cerca de 1500 sócios (e muitos mais aguardam a sua vez), a orientação-chave do Benfica Play passa por dar a conhecer o Clube mais aprofundadamente aos benfiquistas.
E assim ficaremos a conhecer, ao longo do próximo mês, como é Odysseas fora do campo – a família e o amor pelos gatos; a vida e obra de Bruno Lage – quem é o homem que está por detrás do treinador; as histórias contadas por Ederson, Nélson Semedo e João Cancelo em "Seixal não falha"; e o percurso de Chiquinho desde Santo Tirso até ao Estádio da Luz, além de muitos outros conteúdos exclusivos apresentados diariamente.
Recordamos que poderá aceder a todos os conteúdos no site benficaplay.pt por apenas 1,99€ por mês (10,99€ por semestre, 19,99€ por ano) para sócios, ou 2,99€ (mês), 16,50€ (semestre) ou 29,99€ (ano) se ainda não for sócio do Sport Lisboa e Benfica.

P.S.: A Bola faz hoje 75 anos. Uma efeméride que indiscutivelmente importa assinalar. A sua história e o seu percurso estão intimamente ligados a todos os clubes sem excepção. O seu reconhecido contributo para a promoção do desporto nacional, para o prestígio do jornalismo e para o reforço da identidade do País em toda a nossa diáspora muito deve orgulhar todos os seus profissionais que, ao longo destas já longas décadas, diariamente concretizam o sonho dos seus fundadores, Cândido de Oliveira, Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo. Pela sua forte identidade, pela memória e pelo futuro, parabéns!"

PRIMEIRAS PÁGINAS


terça-feira, 28 de janeiro de 2020

UM MERCÚRIO NEGRO VOANDO NA LUZ


"Eusébio faria anos neste dia 25 de Janeiro. Recordá-lo é a obrigação de todos os que o conheceram o puderam vê-lo jogar no seu estilo que não tem imitação. Como daquela vez em que marcou quatro golos ao seu bom amigo Vítor Damas

Dia 25 de Janeiro. Dia de Eusébio. Ele que nasceu no dia 15 de Janeiro de 1942. Há tantas formas de recordar Eusébio, e nenhuma delas faz justiça a Eusébio. Talvez ou seja suspeito de o dizer e de o escrever: tive a felicidade de o ter como amigo. E a ausência dos amigos dói-nos para sempre.
De repente, da memória, sai um encontro entre dois velhos companheiros de muitas conversas: Eusébio e Damas. Com ambos reparti momentos de tanta cumplicidade. Dois adversários; dois homens por inteiro.
Estádio da Luz: o Benfica venceu o Sporting por 4-1.
Era Outubro de 1972. Eusébio e o esplendor dos golos.
Mais de 70 mil pessoas nas bancadas. A festa vermelha em flor.
Uns atacavam; outros defendiam.
Simões e Toni e Jaime Graça em movimentos bruscos, incontroláveis. Manaca e Laranjeira e Carlos Pereira aflitos, desesperados.
Laranjeira perseguia Eusébio, e Eusébio voava como um Mercúrio negro, de asas nos pés.
O Sporting tinha um treinador inglês, Ronnie Allen. Sempre foram bem-vistos, os treinadores ingleses em Alvalade. O Benfica tinha outro inglês, Jimmy Hagan. Poucos foram como Hagan, Jimmy Hagan.
Damas, o solitário Damas. Entregue aos demónios que vestiam de encarnado. Demónios à solta; demónios terríveis; demónios esfomeados.
E Eusébio? Como falar sobre Eusébio? Bastos que o diga. Apanhou-o por segundos, fugindo isolado para o que seria o primeiro golo. O aviso estava dado. De pouco serviu.

Sublime!
Trinta anos já haviam passado desde que Dona Elisa trouxera Eusébio ao mundo, no bairro da Mafalala, em Lourenço Marques.
E Eusébio corria como um garoto debaixo das palmeiras.
A defesa dos leões rachada em pedaços. Por cada frincha que se abria, Eusébio entrava como uma rajada de vento. Toca de cabeça uma bola metida na sua frente, domina-a junto à relva, desliza para lá de Damas, fica com a baliza na sua frente, faz o golo e saiu para festejar no seu jeito felino de pantera.
Pouco depois, noutro gesto magnífico, chuta com força para o ângulo inferior que Damas não atinge. Firme, ergue os braços. Fica durante segundos socando o ar com ambos os punhos. A tarde é dele. Tão completamente dele.
Enquanto decorre o intervalo, as pessoas desesperam. Querem continuar a ver a vertigem avassaladora de Eusébio. Sentem-no num momento extraordinário, percebem que ainda há muito para acontecer sobre a relva da Luz.
Parece que a história se repete. Dois golos seguem-se aos dois golos. Dois golos de Eusébio. Quatro golos de Eusébio.
Yazalde perdia-se entre Humberto Coelho, Malta da Silva e Messias. Mas consegue o golo. Um golo que cala gritos, mas não cala a confiança.
Os minutos decorrem. Há quem comece a pensar que Eusébio se cansou. Que tolice! Salta de súbito, finta Carlos Pereira, foge a Manaca, deixa Laranjeira aos papéis. Aí vai Eusébio! Quem pára Eusébio!? Ninguém! Ninguém! Bem podem tentar agarrá-lo pela camisola, bem podem procurar morder-lhe as canelas como cães dominados pela raiva, pela fúria. O homem é etéreo. Mistura-se com a brisa da tarde e vai e vai e vai, a bola acompanhando a sua fuga sublime, dispondo-se ao seu remate violento e colocado. Golo! Golo! Golo! Terceiro golo de Eusébio!
Mas falta-lhe ainda o golpe derradeiro. Num penálti primoroso, mete a bola lá no alto da baliza do seu amigo Vítor Damas, todo vestido de negro, uma espécie de luto triste.
Levantam-se os homens que rodeiam o recinto. As palmas multiplicam-se em mais e mais palmas. Eusébio no centro da Luz.
Às vezes, perguntou-me: como continuar a recordar Eusébio? De que forma fazer-lhe justiça nestes dias em que voltaria a fazer anos? A resposta é dada pela memória. E Eusébio recorda-se a si próprio. Em toda a sua grandeza."

Afonso de Melo, in O Benfica

O EFEITO RAFA


"Rafa oferece à equipa mais velocidade no último terço do relvado e melhor finalização

Convincente
1. Vitória convincente da melhor e mais forte equipa. Não foi, tecnicamente, um grande jogo, muito por culpa do relvado muito irregular, que prejudicou as duas equipas e o espectáculo. Com um golo e uma assistência (e muito mais que ofereceu ao jogo do Benfica), Rafa foi o homem do jogo.

Oportunidades
2. P. Ferreira conseguiu equilibrar o jogo nos primeiros dez minutos. O Benfica criou, nesse minuto, duas oportunidades de golo, por Grimaldo e Carlos Vinícius, e passou a ser a equipa mais forte, mais segura e com capacidade de criar ocasiões de inaugurar o marcador. Ricardo Ribeiro evitou, com grandes defesas, golos de Pizzi (21) e Ferro (26), Benfica chegou mesmo a atirar a bola para o fundo da baliza, mas o lance foi anulado por fora de jogo de Pizzi (39). O volume de oportunidades traduzia-se no golo de Rafa: excelente movimento de desmarcação, pormenor técnico ao tirar o defesa da frente antes de atirar para a baliza. Apesar de alguma passividade da defesa do P. Ferreira, deve sublinhar-se o mérito da acção.

Mudança
3. A entrada de Rafa no lugar de Chiquinho ofereceu ao Benfica mais velocidade no último terço do campo e outra capacidade de finalização. Os encarnados foram muito fortes nas transições ofensivas. O P. Ferreira procurou pressionar, subiu a linha defensiva e correu riscos. Quando o Benfica recuperou a bola, foi sempre muito perigoso em transições muito rápidas ou em bolas a explorar as costas dos defesas. No corredor direito, o entendimento entre Rafa e Pizzi foi perfeito. Mas também no corredor central a velocidade de Rafa criou muitas dificuldades aos adversários.

Tranquilidade
4. O golo de Carlos Vinícius no início da segunda parte (47) não matou o jogo porque o P. Ferreira nunca desistiu, acreditou sempre que poderia discutir o resultado se marcasse um golo, mas a vantagem deu mais tranquilidade ao Benfica. Bruno Lage também identificou o perigo e o crescimento do P. Ferreira. Quando substitui Pizzi por Taarabt (76) protegeu-se dos riscos que estava a correr. E a verdade é que, apesar de o P. Ferreira ter jogado mais no meio-campo do Benfica nos últimos minutos do jogo, a organização defensiva dos encarnados não deu hipótese e foi resolvendo sem problemas as iniciativas da equipa da casa. O P. Ferreira bateu-se bem, nunca desistiu, mostrou um bom colectivo, do qual é justo realçar Ricardo Ribeiro, cujas intervenções impediram mais golos do Benfica."

Vítor Pontes, in A Bola

WEIGL E GABRIEL DÃO SEGURANÇA E EQUILÍBRIO


"- Como foi possível, num jogo tão intenso e equilibrado, o Benfica vencer com tanta autoridade?
- OIhando para os números do jogo, o equilíbrio foi, de facto, a nota dominante, embora com ascendente encarnado. A supremacia benfiquista foi construída a partir da opção do P. Ferreira em discutir o jogo, em ter bola e querer atacar. Essa feição do jogo permitiu à equipa de Bruno Lage jogar em sucessivas transições, mesmo em contra-ataque, aproveitando o que de melhor Cervi, Rafa e Vinícius têm para oferecer.
- Onde começou a consistência do campeão?
- Na segurança defensiva e, principalmente, no acerto da dupla de médios. Ganriel foi determinante para o equilíbrio da equipa mas Weigl foi de uma eficácia extraordinária a roubar bolas na intermediária. O alemão está em acelerado processo de integração.
- O peso de Rafa na vitória esgota-se no golo e na assistência que assinou?
- Não. A presença de Rafa na equipa confere-lhe acutilância ofensiva muito maior. Antes, com Chiquinho, o Benfica jogava com mais intérpretes na construção do jogo mas tinha menos eficácia na zona de finalização. Rafa, que é mais vertical, cria espaços pr profundidade e eficácia na relação com o golo.
- Pizzi estava mesmo 4 centímetros adiantado no golo anulado?
- O VAR disse que sim e sugere a infalibilidade científica. Certo. Permitam-me apenas não acreditar. É só ver o lance."

Rui Dias, in Record

RAFOLUCIONÁRIO


"Em Alvalade a entrada do foguete do Barreiro marcou o jogo com um antes e um depois; na Capital do Móvel, ele foi o dedo espetado na ferida aberta na defesa adversária pelos movimentos que arrastaram Carlos Vinícius e pela temporização e movimentos do capitão. Rafa a nove e meio não é jogador óbvio, assim como também não o é Pizzi na posição sete. Juntos, em combinações rápidas, suportadas pelas subidas criteriosas de André Almeida, fazem a coisa fluir com simplicidade, mais ainda quando a linha defensiva do Paços de Ferreira não teve qualquer folga pela sua direita, não podendo, por via disco, bascular à esquerda para estreitar os canais a Rafa. É que Cervi, muito agressivo na reacção à perda de bola e extremamente ético e empenhado nas transições, proporcionou o equilíbrio táctico que desencorajou a exploração das subidas pela linha de Grimaldo e não só, e antecipou a ocupação de espaços que significam ameaças ou oportunidades. Isto, associado aos movimento de ruptura de Vinícius, ora nas costas de André Micael, ora entre este e Jorge Silva, obrigava a que o defesa-direito do Paços jogasse muito fechado com o seu central.
Bloqueado nas laterais, o Paços nunca se subjugou às sobrecargas ofensivas provocadas pelas dinâmicas da equipa de Bruno Lage. Tentou explorar situações em que conjunturalmente Eustáquio, Diaby e Pedrinho se vissem em situações de equilíbrio pelo corredor central e tentando explorar o espaço que Gabriel abria quer para cobrir as subidas de Grimaldo.
Quem viu o jogo percebe que os processos de jogo deste Benfica estão cada vez mais oleados e até simplificados. A rapidez também impressiona e o Benfica, no seu todo, foi a equipa célere nas reacções e decisões, Vinícius confere a superioridade física que intimida os adversários e Rafa parece ser aquele agitador que, com as sua acções, subverte o decurso dos acontecimentos e empolga toda a equipa para uma dinâmica claramente superlativa relativamente à qualidade média das restantes equipas da Liga. A reentrada de Rafa no onze não basta para justificar todas as virtudes deste Benfica, mas é certamente simbólica das mesmas e, mais importante que isso, tem sido ele a apertar o gatilho."

Nuno Félix, in Record

A FALTA DE UNIDADE INTERNA NO DRAGÃO


"A parte mais surpreendente do perturbado e perturbador discurso de Sérgio Conceição, após a derrota em Braga, é a que se refere à falta de unidade no clube, fora do grupo de trabalho. Tanto mais que é perfeitamente claro que se mantém um clima de empatia e de confiança entre o treinador e o presidente do FC Porto.
Daí que não seja surpresa em Pinto da Costa tenha dado um imediato voto de confiança a Sérgio, quando este decidiu pôr o lugar à disposição.
Mas se a falta de unidade interna não é no grupo de trabalho e se também não existe na relação entre o treinador e o presidente, então, fica claro que a falta de unidade de que fala Conceição não atinge, apenas e só, o treinador, mas também o presidente Pinto da Costa. E isso, sim, é novo no FC Porto, onde o extenso mandato presidencial sempre conheceu um carácter de linha única e decisão unipessoal.
De facto, alguma coisa de verdadeiramente importante está a mudar no Dragão. E se aqueles que mais se perto conhecem a realidade do clube, e da sua SAD, não verão nas declarações do treinador razões especiais de admiração, pelo menos importa considerar que a grande novidade é a de vermos um clube que nos habituou a ter paredes de betão, à prova de luz e de som, a ter, agora, pelo menos, uma ampla janela de frágil vidro.


Não sei se, em função desta súbita, embora honesta, originalidade, Sérgio Conceição terá longo futuro no FC Porto. É verdade que tem sido o homem certo no lugar certo, conseguindo verdadeiros impossíveis, mas os seus inimigos internos não lhe vão perdoar que tenha sido um homem da casa a colocar o dedo na ferida."



Vítor Serpa, in A Bola

DA FALTA DE UNIÃO E OUTRAS COISAS MAIS...


"Com uma coragem e frontalidade própria de Pedroto, Sérgio Conceição insurgiu-se contra a falta de união no FCP. E agora?

Menos de um mês depois de ter sido comparado, por Pinto da Costa, a José Maria Pedroto, Sérgio Conceição insurgiu-se contra a falta de união dentro do FC Porto e pôs o lugar à disposição do presidente. Pela frontalidade com que assumiu o que o clube, por canais oficiais, oficiosos e similares, sempre negou, o gesto de Conceição foi pedrotiano. Mas o Zé do Boné sempre soube - e na crise do verão quente em parceria com o então chefe do departamento de futebol, Pinto da Costa - tirar consequências das suas acções e, dessa vez, mudou-se para Guimarães onde, sob a presidência de Pimenta Machado e com o apoio de Pinto da Costa, fez uma travessia do deserto que precedeu o regresso, dois anos depois, às Antas, já com o sucesso de Américo de Sá no poder. E que consequências serão tiradas das afirmações de Sérgio Conceição? Ou seja, qual a fórmula mágica que vai restaurar a união no universo do Dragão? A resposta simplista será sempre, «os resultados positivos, uma vitória sobre o Benfica e tudo retornará aos eixos». Porém, no ocaso da liderança de Pinto da Costa, a questão é bem mais vasta e complexa, tem a ver com a força e influência que alguns sectores, nomeadamente os Super Dragões, ganharam no clube, sem esquecer a complicada teia de influências tecida na órbita presidencial, nem os putatvos pré-candidatos à sucessão que, a cada vela mais que Pinto da Costa, coloca no bolo de aniversário, procuram a melhor colocação para o dia em que se iniciar essa corrida.
Afinal de contas, depois de tudo o que se viu, Sérgio Conceição veio dizer apenas o óbvio.
A pergunta que os portistas mais devem querer ver respondida é esta: Pinto da Costa, que já não exerce a liderança com o impacto, interno e externo, de outros tempos, tem condições para promover a unidade reclamada por Sérgio?
A verdade é que o FC Porto, subjugado pelo despesismo estéril de um passado ainda recente e espartilhado pelo fair play financeiro da UEFA, não possui um plantel tão forte como noutros tempos, e depois do cataclismo Krasnodar ver-se-á obrigado a prescindir de mais alguns anéis (e não são muitos...) para salvar os dedos. Percebe-se, desta forma, que o que Sérgio Conceição gritou ao mundo foi mais do que um mero desabafo, depois de uma derrota.

Ás
Rúben Amorim
Primeiro a vencer a Taça da Liga como jogador e treinador, o jovem técnico do SC Braga está na crista da onda, apesar da falta de certificação e da situação pouco prestigiante para as instituições, que está a protagonizar. Mas uma coisa é certa: tem queda para este negócio e sabe da poda. Veio para ficar, está mesmo a ver-se.

Ás
Júlio Velásquez
Venceu, em Tondela, com autoridade, o duelo espanhol com Natxo González, e viu o seu Vitória de Setúbal colocar-se onze pontos acima da linha da água. Pelos vistos, os sadinos já recuperam plenamente da virose que os limitou, e há que contar com este clube histórico para uma boa segunda volta do campeonato.

Ás
Paulo Jorge Pereira
Sexto lugar no Europeu, três jogadores - Alfredo Quintana, Rui Silva e João Ferraz - na short list para a melhor equipa do evento, e qualificação para o torneio pré-olímpico, são razões mais do que suficientes para que a Federação de Andebol de Portugal e especialmente o seu treinador estejam de parabéns. Well done!

O problema do Sporting não é de treinador...
«Depois de treinar nestes dois desafios (B-SAD e Sporting) vou ter capacidade para trabalhar em qualquer lado...»
Jorge Silas, treinador do Sporting
Antes fosse culpa dos treinadores, a crise do Sporting. Mas não é. E foi por aí, aliás, que começou a desdita de Varandas quando decidiu despedir Peseiro. Por isso, não valerá a pena fazer contas ao prazo de validade de Silas, enquanto não estiverem resolvidos os verdadeiros problemas do Sporting, a quem falta dinheiro, sobra divisionismo e possui um plantel muito limitado.

Diego Simeone parado no tempo
Inapresentável, o futebol do Atlético de Madrid, perfeitamente incompatível com o plantel dos colchoneros. Ontem, empataram a zero no Wanda como o colista Leganés, depois de terem sido eliminados a meio da semana, da Taça do Rei, pela secundária Cultural Leonesa. Simeone parou no tempo e não percebeu...

Kobe é eterno
Dizem notícias chegados de Los Angeles que Kobe Bryant perdeu a vida num acidente de helicóptero. Impossível. Kobe é imortal, é lenda, é inspiração para milhares e, por tudo isso, nunca há de morrer. Bryant estará sempre vivo em quem o viu desafiar o impossível, não só nos cinco anéis que conquistou na NBA, em vinte anos com os Lakers, como, também, nos 33.653 pontos que obteve, nos 7047 ressaltos que ganhou e nas 6306 assistências que realizou. A partir das 'suas' camisolas 8 e 24, retiradas pelos Lakers e colocadas no Staples Center no dia 17 de Dezembro de 2017, Kobe Bryant vai continuar a reinar na Cidade dos Anjos."

José Manuel Delgado, in A Bola

SANGUE NA ÁGUA


"Qual tubarão a sentir sangue dos rivais na água, o Benfica conseguiu uma exibição categórica em Paços de Ferreira, ao nível do melhor que fez época, criando várias oportunidades de golo diante de um adversário que não tinha sofrido nenhum nos quatro jogos anteriores. Sem lesionados, Bruno Lage parece ter encontrado uma fórmula que atemoriza qualquer adversário doméstico, com Weigl e Gabriel a ligarem muito bem todos os fios no meio-campo e Rafa a dinamitar defesas nas costas de Carlos Vinícius. O Benfica somou ontem a 15.ª jornada consecutiva a vencer, tem 10 pontos de avanço (provisórios) sobre o segundo e 20 sobre o actual terceiro. Números que levam à constante reflexão sobre a falta de competitividade do futebol português, como se isto fosse alguma novidade - na verdade, a única novidade é aquilo que esta equipa de Lage tem feito.
O mudo do Desporto voltou levar um soco no estômago com a morte de Kobe Bryant, um dos maiores desportistas da história, muito mais do que um magnífico jogador de basquetebol. Partiu aos 41 anos e de forma trágica, deixando em choque toda a gente. A vida é feita de acontecimentos como este, mas a morte das nossas maiores referências culturais acaba por nos matar um bocadinho a todos."

CONSISTENTE


"Frente a um adversário, a jogar em casa, que vinha de um ciclo de quatro jogos em que obteve duas vitórias e dois empates e não consentiu qualquer golo, a nossa equipa, mais uma vez, demonstrou toda a sua competência. Fez uma exibição segura e consistente, dominou a partida e criou várias oportunidades claras de golo, conseguindo concretizar duas delas.
O resultado – 0-2 – espelha bem o que se passou em campo, tratando-se de uma vitória justa e sem qualquer contestação ante o Paços de Ferreira, condizente com as pretensões da nossa equipa em iniciar bem a segunda volta do Campeonato e, pelo menos, manter a distância de sete pontos para o segundo classificado.
Notou-se pela concentração e determinação dos jogadores, assim como pela forma como a partida foi preparada por Bruno Lage e sua equipa técnica, que a filosofia “jogo a jogo” continua a nortear o trabalho do nosso plantel.
Os números comprovam a excelência do percurso feito na principal prova nacional, conferindo justiça à liderança exercida presentemente.
As 17 vitórias em 18 jogos constituem-se como o segundo melhor desempenho da história do Benfica. Os seis golos sofridos e os 13 jogos em que os adversários não marcaram qualquer golo são ambos o melhor registo benfiquista de sempre, a par de outras três temporadas. E as marcas estabelecidas na jornada anterior, de vitórias consecutivas em deslocações no Campeonato (máximo histórico) e de triunfos seguidos (segundo melhor de sempre), foram aumentadas agora para 18 e 15, respectivamente.
A mentalidade e a competência da nossa equipa só encontram paralelo no extraordinário apoio dos nossos adeptos, que ajudam o Clube, semana após semana, a cimentar a sua posição na liderança do Campeonato.
A indiscutível força do nosso colectivo demonstrada em Paços de Ferreira convida a relegar para segundo plano alguns aspectos individuais, mas não resistimos a apontar os desempenhos de Rafa, autor do primeiro golo e do passe para Vinícius marcar o segundo, e de André Almeida, por ambos terem regressado recentemente de um período de inactividade devido a problemas físicos. E também de Weigl, que chegou à equipa este mês e já se apresenta plenamente entrosado com os colegas (num relvado em mau estado, completou 49 dos 54 passes tentados), além de Odysseas, essencial num desempenho defensivo da equipa, até ao momento, ao melhor nível da história do Benfica.
Por outro lado, sentimo-nos obrigados a ter de falar sobretudo do VAR. O lance mais polémico terá sido, porventura, o golo de Pizzi anulado por fora de jogo. Em bola corrida dá a sensação de inexistência de qualquer irregularidade no posicionamento de Vinícius, que assistiu o nosso 21. A imagem parada pela Sport TV não motiva qualquer inflexão nessa percepção de legalidade do lance. Mais tarde, ficou-se a saber que o nosso avançado estaria supostamente em fora de jogo por quatro centímetros.
Este lance e a forma como foi escrutinado motiva perplexidade. Não é claro que as linhas, para aferir a existência, ou não, de fora de jogo, tenham sido bem colocadas. Há dúvidas quanto ao posicionamento da linha no corpo do defesa pacense (no pé ao invés de no ombro, como no caso de Vinícius) e até do momento exacto do passe. E frisamos novamente que o golo foi invalidado por quatro centímetros, quando a própria empresa fornecedora da tecnologia admite a necessidade de se considerar uma margem de erro de cinco centímetros na avaliação de foras de jogo.
E depois houve o caso da grande penalidade por assinalar a nosso favor numa falta evidente sobre Rúben Dias.
Todos vimos, em bola corrida, que Rúben Dias sofreu falta. As eventuais dúvidas foram, depois, dissipadas ao vermos as repetições do lance. Pensámos que o árbitro, talvez devido ao emaranhado de jogadores na área lhe obstruírem a visão do lance, não pudesse ver a falta, mas o VAR não deixaria de a indicar, pois todos a vimos.
Soube-se posteriormente que "uma falha de gerador após quebra de energia impediu a utilização da tecnologia das linhas de fora de jogo entre 23:33 e 45:00+1 minutos do Paços de Ferreira-Benfica". 
Qualquer um destes casos contribui para a necessidade de reflexão sobre o uso da tecnologia do VAR, em particular os aspectos técnicos, o protocolo de aplicação e a uniformização dos critérios, para que não constatemos, como tem vindo a acontecer, que no deve e haver haja clubes com mais "sorte" do que outros. A bem da verdade desportiva!

P.S.: Na próxima sexta-feira, às 19 horas, receberemos o Belenenses, SAD. Reiteramos a importância do Estádio cheio a apoiar a nossa equipa e relembramos os detentores de Red Pass que, caso não possam estar presentes no Estádio, podem partilhar o seu lugar ou disponibilizá-lo no mercado secundário."