terça-feira, 26 de novembro de 2024

CALOR...HUMANO!!!



 


"Após a terceira derrota consecutiva do FC Porto, algo que já não acontecia há 16 anos, o ambiente para os lados de Contumil ficou bravo, muito bravo!!
Coitados... só espero que piore!!"

Alberto Mota, in Facebook

A FÓRMULA 1 EM LAS VEGAS É A LOUCURA TOTAL

 


"O impacto económico do Grande Prémio de Las Vegas deste ano aproximou-se dos 1,5 mil milhões de dólares, de acordo com um relatório publicado pela empresa Applied Analysis, em que o impacto económico direto ascendeu a 329 milhões de dólares a que se somam cerca de 587 milhões de dólares de impacto económico na economia local.
O desenvolvimento das infra-estruturas relacionadas com a corrida, incluindo a construção das boxes propositadamente para a prova, originou cerca de 2.200 postos de trabalho, com os salários dos trabalhadores locais a atingirem os 52 milhões de dólares.
A Fórmula Um atingiu novos patamares nos últimos anos, modernizou-se, chegou a novos públicos e atingiu receitas recorde, mas a prova de Las Vegas tem vindo a assumir-se como a prova mais espetacular dentro do campeonato do mundo. Para além da competição, o fim-de-semana tem vindo a ser recheado com inúmeros momentos musicais onde atuam alguns dos melhores músicos e bandas da atualidade.
À volta da prova, as centenas de milhares de adeptos são desafiados com inúmeras experiências ao longo do fim-de-semana para que tenham a máxima diversão possível. A Fan Zone de Las Vegas é um verdadeiro centro comercial de entretenimento pelos dias da mítica prova norte-americana.
Olhando para alguns exemplos, os adeptos podem passar por experiências como: a F1 Sim Corrida (onde põem as suas habilidades de corrida ao correr contra outros concorrentes no jogo oficial da Fórmula 1 no verdadeiro circuito do Grande Prémio) ou o Pit Stop F1 Challenge (onde os adeptos reúnem a sua equipa de paragem nas boxes e desafiam-se contra outros para trocar as rodas de um carro de Fórmula 1 verdadeiro.
É ainda possível tirar uma selfie com um piloto de F1 em realidade aumentada ou tirar uma selfie com o troféu que todos os pilotos lutarão arduamente para ganhar no final da temporada. Há ainda a possibilidade de, através do Blast Lane, sentir-se como um carro de F1 a ser testado na fábrica com a versão divertida de estar num túnel de vento ou criar o seu próprio design do capacete de corrida e pintura do seu carro preferido.
A prova de fórmula um em Las Vegas, mais do ser apenas mais etapa do Campeonato Mundial, é uma verdadeira festa que atrai todo o tipo de públicos e é capaz de gerar várias centenas de milhões de dólares de impacto económico.
A indústria do desporto deve estar cada vez mais aberta a alargar a sua atividade e atratividade para além da mera competição explorando e maximizando receitas com toda a componente de entretenimento e diversão dos seus adeptos."

Daniel Sá, in Record

E NÃO É QUE O VELHO COM REUMÁTICO ABRIU OUTRA VEZ O LIVRO?😏

 


"Benfica 7 - 0 Estrela da Amadora

Há muito tempo - há tempo de mais, desde 2017 - que não vencemos a Taça de Portugal. Na época passada foram as arbitragens dos dois jogos com o Sporting que nos afastaram da final. Em 2022-23 foi a roubalheira do senhor Tiago "Moedas" Martins no jogo dos quartos-de-final, em Braga, a mandar-nos borda fora da prova. A ver vamos o que nos toca este ano.
Regresso do Benfica depois de mais uma indesejada paragem para as seleções. Pensa-se que Bruno Lage vai apostar em jogadores que têm sido menos utilizados. Será que já joga o Ricardo Rocha?

03' Quantos não viram o Di María a abrir o marcador? Isto hoje foi rápido.
05' Bem, olhem lá, o velho com reumático está a abrir o livro. Mas que golo, que pontapé de biciclete!!!
10' Olhó Samuel Soares também quer aproveitar para se mostrar. Que bela defesa! Isto começou acelerado.
18' 1-2-3, Di María outra vez! Mais um golão. Este foi de pé direito. Hat trick em 18 minutos. Que bem que lhe faz não andar com viagens intercontinentais por causa da seleção argentina.
20' A defender é clara uma linha a cinco. Carreras faz de terceiro central e Beste fecha a lateral. Uma espécie de treino para quarta feira?
29' Carreras tomou o gosto aos golos, não fosse a grande defesa do guarda-redes e estava lá mais um.
36' o Arthur Cabral se quer sair da cepa torta não pode falhar golos cantados.
40' Rollheiser a fazer de Kökcü não está a sair-se nada mal, pois não?
44' continua a espalhar-se Di Magia pelo relvado da Catedral: com ou sem golos, são jogadas atrás de jogadas.
51' Mais uma defesa do Samuel Soares a dizer ao tribunal que podemos contar com ele. E hoje já tinhamos visto uma exibição brutal do André Gomes em Portimão pela equipa B.
55' o Arthur Cabral faz tudo, tudo, tudo, isola-se... e atira ao lado! Não é a noite dele, está visto. E já vai outra oportunidade falhada. Está 3-0, recebe palmas, se estivesse empatado era insultado de "picanha"...
59' Uauuuu! Que jogada coletiva! Akturkoglu para 4-0, este não perdoa. Assistência de quem? Isso pergunta-se? Di María!!!
65' A Catedral rendida a Di María, vai agora descansar, que bem merece e tem que estar fresco na quarta feira.
66' Não há dúvida: a noite não é para o Arthur Cabral. Tantas bolas de golo desperdiçadas.
70' Segunda parte de ritmo mais baixo, mas continuamos a falhar oportunidades. 56.094 nas bancadas para ver um jogo de Taça tarde e más horas? Ninguém se compara ao maior de Portugal.
80' Mas que abertura do pé esquerdo do Kökcü para Amdouni fazer o 5-0. Está consumada a mais do que justa "manita"!
86' Marcou o mais difícil: que golo do Arthur Cabral! E eu a engolir tudo o que escrevi, ahahah. Melhor assim!
90' E toma lá mais um do Arthur Cabral para aprenderes! E vão sete!!! E o árbitro acabou com isto antes que viessem dizer que devíamos ter tirado o pé do acelerador."

Jaime Cancella de Abreu, in Fcebook

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

NENÉ ATÉ COM AS PÁLPEBRAS MARCAVA



 Bela homenagem do Benfica ao enorme Tamagnini Manuel Gomes Batista.

Tamagnini Manuel Gomes Batista, aka Nené, é craque. Não era craque: é craque. Quem tem menos de 40 anos não se recorda dele, pois o último jogo oficial foi num Boavista-Benfica da última jornada de 1985/1986, a 20 de abril de 1986. Mas ele jogava tanto, mas tanto, tanto, meus caros!
Diziam que não sujava os calções, mas sujou as balizas adversárias por centenas de vezes com remates certeiros. Golos fáceis, diziam. Sim, sim, digo eu. Fácil é quando a bola entrou, não quando parece perto de entrar (certo, Bryan Ruiz?). Nené era (é!) exímio a fazer aquilo que, há 40 anos, se chamava jogar sem bola.
Nisso, meus caros, o craque de Leça da Palmeira era (é!) brilhante. Andava por ali, por qualquer das zonas frontais à baliza adversária, como se não fosse nada com ele, perguntando, por vezes, a quem o marcava, se a família estava boa, como ia a escola dos miúdos, se os ordenados tinham sido pagos, que podia estar descansado que a equipa não ia descer de divisão e, talvez até, que o Benfica estava interessado na sua contratação para a época seguinte. De repente, porém, após ter distraído, com bastante conversa mole, o seu marcador, Nené corria na diagonal ou em profundidade, recebia a bola, dava-lhe dois ou três toques e, zás, sujava mais uma baliza.
Era frio, diziam. Como se ser frio fosse um defeito e não, já desde os anos 70 e 80, uma virtude. Outras vezes, fazendo justiça à tal frieza, estava parado e a bola, como se possuísse um íman, caía-lhe no pé direito, no esquerdo, na cabeça, no ombro, no joelho, no calcanhar, na coxa, no gémeo ou até (juro!) numa pálpebra e entrava na baliza. Nené é (não foi: repito) nas décadas de 70 e 80 uma espécie de Ronaldo. Começou como extremo (como CR), foi-se encostando à área (como CR) e, por fim, passou a ponta-de-lança, marcando golos em catadupa (como CR). Não catadupa à escala planetária, antes catadupa à escala portuguesa e, por vezes, até europeia (três golos ao Feyenoord em março de 1972, com Eusébio, Artur Jorge e Jordão no onze).
No intervalo do jogo com o Estrela da Amadora, como grande clube que é, o Benfica decidiu homenagear o grande (enorme, fantástico, admirável, fenomenal, escolha o leitor o melhor adjetivo) Tamagnini Manuel Gomes Batista, aka Nené. Depois, como realçou Bruno Lage, a cereja no topo da homenagem foi o resultado: 7-0. O número de Nené: 7. Agora, quando o Benfica ganhar um jogo por 10-0, fico à espera da homenagem ao grande (enorme, fantástico, admirável, fenomenal, escolha o leitor o melhor) António Simões da Costa, aka Simões.

Rogério Azevedo, in a Bola

O CURIOSO CASO DE ARTHUR CABRAL



 Cabral exaspera o adepto mas recebe (e dá) recompensa. Será que o adepto aguenta?

Não sei se aquele anúncio do adepto no café, com transístor na mão, a falar mal de um avançado e depois a mudar os discurso quando marca um golo foi a pensar em Arthur Cabral, mas parece assentar-lhe. Sábado, seguramente muitos adeptos do Benfica pensaram ‘como é que este avançado falha tantos golos e joga no Benfica?’ por entre a estonteante exibição de Di María, que marcou três em 18 minutos.
É preciso ser muito forte mentalmente para ver o jogo a acontecer, as oportunidades a gorarem-se, e ainda ver Akturcoglu entrar ao intervalo e marcar, o mesmo com Amdouni, que festejou 20 minutos depois de ter entrado.
Mas Cabral não desistiu e Lage não desistiu dele. «Fiquei muito feliz pelo que aconteceu ao Arthur, manifestação de apoio dos adeptos fundamental, o plantel festejou os dois golos do Arthur, em campo e no banco», disse o treinador, depois de ele próprio ter pedido apoio às bancadas e Cabral ter marcado aos 86 e 90.
Quem está com ele todos os dias é que sabe. O senhor do transístor só vê uma parte do trabalho. «Tem feito um trabalho muito bom, na sombra», justificou Lage. «Ele é muito forte na área, se forem ver lances deste jogo, faz uma tabela com o Di María no quarto golo, o posicionamento no segundo foi muito bom», disse ainda Lage, que também já teve de justificar continuada aposta em Pavlidis, com o grego em seca de golos em relação à pré-época.
Mas Cabral, que na eliminatória passada não conseguiu marcar ao Pevidém, também deixou uma mensagem ao adepto: «Estou muito feliz por ter voltado a marcar, e logo dois. Sei que podiam ter sido mais (...) feliz por sentir apoio dos adeptos, mesmo depois de falhar aqueles golos. Quero agradecer muito ao míster por me ter dado minutos e aos meus colegas, que me foram levantar e que me disseram que o golo ia chegar e no final chegou», comentou.
O brasileiro bisou pela primeira vez pelo Benfica e já não marcava dois golos num jogo desde fevereiro do ano passado. Mas quem saiu mais forte? O jogador ou o adepto? É pegar no transístor e esperar pelo próximo jogo.
Ana Soares, in a Bola

DI MARIA NÃO É IGUAL AOS OUTROS

 


Há muitos argumentos para quem gosta de embirrar com o craque do Benfica, o que não quer dizer que estejam certos. Deixem lá Di María em paz, que acredito que ele nos irá sempre recompensar...

Ángel Di María já tem 36 anos e não gosta muito de defender. Quando está em campo, parece que obriga os colegas a jogar para ele e por ele. É uma estrela, pois claro, e já se sabe como elas muitas vezes se impõem, com todos os problemas que isso traz. Depois de uma carreira que o fez passar por alguns dos maiores clubes - Real Madrid e Man. United, claro, mas também PSG e Juventus - e após ter vencido um Mundial, traçou o plano de voltar onde foi feliz: Benfica e, ao que tudo indica, um dia Rosario Central. Uma espécie de pré-reforma, com condições financeiras ainda assim menos vantajosas do que uma qualquer aventura pelas Arábias (e, por isso, muito respeito), mas também a certeza de que iria ser sempre muito acarinhado - algo que até na Argentina lhe chegou a faltar.
Roger Schmidt cometeu muitas vezes o erro de não o deixar de fora ou não o substituir, mesmo quando estava notoriamente cansado e pouco tinha para dar. Di María pode ter um estatuto diferente dos outros à partida, mas em campo deviam ser todos iguais! A Luz não lhe perdoou isso.
E o que dizer dos talentos que podem ter sido desperdiçados por causa dele? David Neres, por exemplo, teve de sair para o Nápoles para jogar mais. Um jogador daqueles... que pena! Schjelderup também tem imenso potencial, se o Benfica não viver só para Di María e souber olhar à volta, claro... Eternizar o argentino no plantel e no onze titular é não dar oportunidade aos outros e um clube formador e vendedor não se pode dar ao luxo de renovar contratos com um senhor desta idade e não pensar no futuro.
Os adeptos/clientes têm sempre razão... mas estes são alguns dos argumentos que fui ouvindo de benfiquistas no último ano. É impossível um adepto do Benfica não gostar de Di María, mas tornou-se palpável esta mania de reduzir o argentino a um elemento qualquer da equipa, com qualidades e defeitos mais reais do que o seu futebol.
Meus caros, aproveito este momento para vos voltar a dizer que estavam errados. Di María é Di María, campeão do Mundo, craque de muitas formas e feitios e merecedor de um pedestal na Luz que bem pode obrigar os outros a correr um bocadinho mais por causa dele, mas que vai sempre estar lá para tornar o jogo melhor. Aproveitemos enquanto cá está, as queixas que fiquem para os adversários que o veem jogar assim e não sabem o que fazer para o travar... e deixem-se de contas em relação à idade e à recuperação física, porque isto é Desporto, mas também é Magia.
Catarina Pereira, in a Bola

DI MAGIA NA CATEDRAL

domingo, 24 de novembro de 2024

COITADINHOS!!!

 


"O treinador da equipa que teve desde Maio cerca de 15 jogos a jogar em superioridade numérica, penaltis a torto e a direito, golos oferecidos e os adversários amarelados antes dos 30 minutos de jogos...
É PRECISO TER MUITA LATA!!"

Alberto Mota, in Facebook

VITÓRIA EM PORTIMÃO



Ambição recompensada com os três pontos
O Benfica B conquistou a 7.ª vitória em 11 jornadas da Liga 2, após bater o Portimonense, por 0-2, num duelo em atraso da 8.ª jornada.
A equipa B do Benfica deslocou-se ao Portimão Estádio neste sábado, 23 de novembro, para enfrentar o Portimonense no jogo em atraso da 8.ª jornada da Liga 2. As jovens águias venceram por 0-2 – subiram ao 2.º lugar da classificação –, e os golos foram marcados por Gustavo Varela e Diogo Prioste.
Logo aos 30 segundos de jogo, a formação comandada por Nélson Veríssimo deu um sinal claro ao que vinha, com Gerson Sousa a acertar no poste, na sequência de um cruzamento-remate.
Dono da bola e a pressionar alto, o Benfica B montou o cerco à área dos algarvios e, aos 18', voltou a estar perto de marcar. Gerson Sousa recuperou a bola no meio-campo do Portimonense e serviu Gustavo Varela, que, por duas vezes, viu o defesa Alemão negar-lhe o golo. No minuto seguinte, o filme repetiu-se, com um defensor algarvio a cortar um remate do avançado em cima da linha de baliza.
Já depois de, aos 21', André Gomes ter travado um cabeceamento de Alemão com uma grande defesa, Gustavo Varela viu a sua perseverança recompensada, aos 28'. Desde o lado esquerdo, Francisco Domingues rematou para defesa incompleta de Vinícius e, após um ressalto, a bola sobrou para o camisola 89, que balançou as redes para o 0-1, resultado que se verificava ao intervalo.
No regresso dos balneários, Gustavo Varela dispôs de uma boa oportunidade para ampliar, aos 47', antes do jogo entrar numa toada mais dividida, com muitos duelos a meio-campo e paragens para assistência médica a jogadores de ambas as equipas.
Aos 70', o árbitro assinalou uma grande penalidade favorável ao Portimonense após queda de Chico Banza na área encarnada. Contudo, alertado pelo VAR para uma mão na bola do avançado alvinegro, Rui Silva foi rever as imagens e confirmou a infração de Chico Banza, revertendo a decisão.
O Portimonense partiu, então, para o tudo ou nada na busca do empate, mas as jovens águias aliaram solidez defensiva a atrevimento no contra-ataque. Num lance veloz e construído a régua e esquadro, Gerson Sousa isolou José Melro, que acabou carregado em falta no interior da área por Filipe Relvas, aos 85'. Penálti para o Benfica B e oportunidade soberana para Diogo Prioste, que não perdoou e fez o 0-2, já aos 86'.
Até ao final de um jogo que teve 10 minutos de compensação, o Benfica B continuou por cima do encontro e, aos 90'+4', esteve perto do 0-3. José Melro rematou cruzado e Teodoro cortou a bola na direção da sua baliza, com o guarda-redes Vinícius a travá-la em cima da linha.
Somado o 7.º triunfo em 11 jornadas da Liga 2, os encarnados têm agendada para o próximo domingo, dia 1 de dezembro, a deslocação à Madeira para enfrentar o Marítimo. O duelo da 12.ª jornada terá início às 15h30.
DECLARAÇÕES
Nélson Veríssimo (treinador do Benfica B): "Feliz pela forma como demos resposta num jogo difícil. O Portimonense é uma equipa com qualidade, e o Ricardo [Pessoa] está a tirar proveito das características dos seus jogadores. Sabíamos que tínhamos de controlar a transição ofensiva do Portimonense, e tínhamos de estar atentos ao momento de bola parada, para além da qualidade que o adversário imprime com bola. Era um jogo de nível de dificuldade elevado. Estou muito satisfeito porque, num contexto competitivo exigente, os nossos jogadores deram mais uma vez uma resposta positiva, o que contribui para um dos nossos objetivos, que é o desenvolvimento individual e o crescimento coletivo desta equipa. Dar também uma palavra a todos os jogadores que não tiveram oportunidade de entrar. Eles têm construído uma verdadeira família. Hoje deu para uns jogadores, não deu para outros, aquilo que me satisfaz registar é sentir que estamos todos no mesmo espírito, no mesmo sentido, e esse é o caminho que temos de levar."

TODAS AS VÉNIAS POSSÍVEIS A UM DEUS MAIOR DA BOLA




Ao minuto 18 já o Benfica tinha resolvido a eliminatória com o Estrela da Amadora. Di María fez três golos e uma assistência. Arthur Cabral esteve muito perdulário, mas ainda teve acrobacia para bisar.
As saudades da Argentina são a felicidade do Benfica. Enquanto a seleção de Lionel Scaloni vai pesando a ausência de Di María – apenas três vitórias em seis jogos desde a retirada de Ángel -, o Benfica beneficia por ter ainda o craque, e agora a tempo inteiro.
É verdade que Otamendi também teve lugar no onze de Bruno Lage, mas talvez o mesmo não tivesse sucedido com Di María – pelo menos com tanta frescura - se este tivesse andado igualmente a viajar por Assunção e Buenos Aires nos dias anteriores. Ficou em Lisboa, trocou o avião pela bicicleta, e assim, num registo mais ecológico, conduziu o Benfica aos oitavos de final da Taça de Portugal.
Ao minuto 18 já Di María tinha completado o hat trick mais rápido da carreira, que teve como ponto alto um golaço – o segundo - de pontapé de bicicleta. Mais uma obra de arte para a notável galeria que é a carreira de Fideo.
A eliminatória ficou arrumada logo aí, por força dessa entrada autoritária do Benfica, mesmo com cinco alterações na equipa inicial relativamente à goleada no clássico com o FC Porto. Uma das novidades foi Samuel Soares, que ainda brilhou três vezes na baliza encarnada, mas o 5x4x1 do Estrela da Amadora de José Faria mostrou-se demasiado frágil na Luz.




Em 4x3x3, com Aursnes sempre como guarda-costas de Di María, e desta feita com Rollheiser na meia-esquerda, o Benfica jogou a seu bel-prazer, com facilidade a ultrapassar a primeira linha defensiva do adversário e depois, a explorar triangulações – Carreras/Rolheiser/Beste e Bah/Aursnes/Di María – para criar inúmeras situações de finalização.
Arthur Cabral foi para o intervalo a lamentar um falhanço incrível, mas Akturkoglu, lançado ao intervalo, mostrou a eficácia habitual ao assinar o quarto golo benfiquista (59'). Depois dos três golos marcados, Di María ainda fez a assistência para o golo do turco, antes de abandonar o encontro.
O Benfica nunca baixou (muito) a intensidade, até pela qualidade dos jogadores que foram entrando. Bruno Lage promoveu a estreia do lateral Leandro Santos, mas ao mesmo tempo lançou Kokçu e Amdouni, os dois jogadores que desenharam o quinto golo: notável passe do internacional suíço a servir o avançado suíço na área.
Vangelis Pavlidis é que não saiu do banco, embora tenha chegado a fazer exercícios de aquecimento. Bruno Lage foi sensível ao momento de Arthur Cabral, mesmo depois de ver o avançado brasileiro desperdiçar três golos (que pareciam) feitos. O próprio público da Luz, tranquilizado pelo marcador, incentivou o avançado brasileiro nos momentos de desacerto, e acabou por ter retribuição dupla, já nos minutos finais. Porventura inspirado em Di María, o ex-Fiorentina fez o 6-0 com um remate acrobático na área, após jogada de Schjelderup, e fechou as contas com uma finalização fácil, após defesa incompleta de Meixedo.




Garantido o apuramento com estrondosa goleada a uma equipa do mesmo escalão, o Benfica não só conseguiu prolongar o estado de graça decretado frente ao FC Porto, como pode ainda ter revitalizado uma opção de ataque.
DESTAQUES:
Exibição monumental de Di María escancarou as portas à goleada. Muitos num plano elevado. Arthur Cabral falhou, falhou e voltou a falhar até se redimir.
O melhor em campo: Di María (9)




Quem gosta de futebol é impossível ficar indiferente ao que fez Di María, um deus maior da bola que merece todas as vénias. Abriu as hostilidades com um remate em arco de pé esquerdo. Depois, como que o tempo parou para aquele instante por volta das nove da noite no Estádio da Luz: em plena área do Estrela da Amadora, de costas para a baliza, levantou a bola com o seu imaculado pé esquerdo e aplicou uma monumental bicicleta que até o companheiro de equipa Florentino espantou. Como ainda não estava satisfeito, ainda bateu mais uma vez Francisco Meixedo, desta vez com um remate de pé direito. E ainda só estavam decorridos 18 minutos de jogo. Depois disso, uma assistência para o quarto. Pelo meio, fez uma letra no lance do primeiro golo mas foi intercetada. Mas, mesmo à beira dos 37 anos, há uma letra que lhe ficou colada à pele: G. Sim, g, de génio.
7 Samuel Soares — Reapareceu na baliza encarnada depois de ter sido titular no primeiro jogo encarnado na Taça de Portugal, diante do Pevidém e mostrou-se em bom plano, começando o rol de intervenções parando um remate forte de Rodrigo Pinho. Depois foi Nilton Varela (34) a colocá-lo a prova e mais uma vez correspondeu com qualidade. O Estrela cresceu um pouquinho no início da segunda parte mas não se atemorizou e efetuou uma enorme defesa a remate de André Luiz, quando o brasileiro rematou na pequena área.
7 Bah — Se esteve lesionado na seleção dinamarquesa pouco ou mesmo nada se notou. Grande disponibilidade física para fazer todo o corredor direito e cruzamentos bem medidos para a área, sobretudo aos 37 e à beirinha do intervalo (45). Os companheiros de equipa desperdiçaram a oportunidade de aumentar a vantagem para o Benfica naquela ocasião sobretudo Arthur Cabral, mas nesse aspeto já a culpa não é dele porque a sua responsabilidade foi cumprida.
6 António Silva — Praticamente não se deu por ele, o que não quer dizer que não tenha cumprido com o que lhe foi pedido.
6 Otamendi — A noite descansada apenas teve um momento de maior frisson quando assinou por baixo um grande corte 56’ impedindo um estrelista de alvejar a baliza de Samuel Soares.
7 Carreras — Parece uma locomotiva pelo lado esquerdo, em vaivéns constantes que cansam só de ver. Abre novos mundos à sua equipa pelo lado canhoto.
7 Aursnes — O norueguês tem uma capacidade que parece inata de descobrir latifúndios onde para outros há um riscão de terreno, como se viu nos lances do primeiro e do terceiro golo, desbravando caminho entre a floresta de pernas do Estrela.
7 Florentino — Cumpriu com o caderno de encargos que lhe foi entregue em termos defensivos e ainda teve tempo para um grande passe para Arthur Cabral (32) e outra assistência para o brasileiro fruto do remate que valeu a recarga vitoriosa.
5 Rollheiser — Na primeira parte ainda esteve num plano aceitável mas desceu muito de produção após o intervalo, tendo ainda sido poupado a uma expulsão que, num jogo com VAR, era um dado praticamente adquirido, após uma entrada muito feia sobre André Luiz.
7 Arthur Cabral — Falhou, falhou, falhou e voltou a falhar até que teve o momento Ibrahimovic e marcou um golo muito bom (81) e, depois disso, outro fácil. A ver vamos se é desta que se vai a crise de confiança que atravessa. Ou atravessava. Será uma questão de em que tempos se conjugam os verbos. Pelo menos, aplausos já arranca, não só pelos golos mas também por uma arrancada conseguida aos 55 em que, em esforço, passou pelo defesa contrário mas, na cara de Meixedo, atirou para as nuvens.




5 Beste — Pareceu sempre desenquadrado do jogo e ainda conseguiu colocar na bancada um remate (45’) em que tinha tudo para ser feliz. Ficou-se por fazer apenas meio jogo.
7 Akturkoglu — O turco é daqueles que não se conforma. Começou o jogo no banco, entrou para a segunda parte e logo aos 46 já estava a tentar o golo, algo que conseguiu aos 59, quando conseguiu dar a pincelada final a uma jogada bem desenhada pelo ataque encarnado.
7 Kokçu — Mais um proveniente do Bósforo que não é de ficar de braços caídos se não entra no onze. O passe para o quinto golo é para ver e rever até à exaustão.
6 Amdouni — Marcou um golo em que grande parte do mérito é do passe de Kokçu.
5 Leandro Santos — Em clima festivo, estreia para um jovem da formação.
6 Schjelderup — Entrou bem no finzinho, mas ainda a tempo de participar no primeiro golo de Arthur Cabral.